Apoio Mútuo

Mudanças sérias precisam acontecer

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[Dicas de Saúde] Consumo de substâncias psicoativas durante a quarentena

As relações entre humanidade e substâncias psicoativas, tanto por questões químicas quanto psicológicas podem ser um entrave para a manutenção do isolamento físico, por isso se usa drogas regularmente, estas podem ser uma fonte de satisfação muito importante para você, mas, como sempre, existem riscos e danos associados a esta prática. É comum que em situações de estresse tua vontade de consumir aumente, por isto, é importante que em dias de isolamento social, solidão e angústia você observe o seguinte:

  • Busque diferentes opções para acalmar tua ansiedade, aproveite o tempo para ler um bom livro, escutar tuas músicas favoritas, cozinhar, fazer alguma atividade pendente, organizar teus espaços, tomar chás, etc.;
  • Organize teu tempo e as tarefas que consegue cumprir, não estabeleça objetivos muito grandes para não gerar frustração;
  • Mantenha tua rotina de consumo, não aumente tuas doses;
  • Divida as substâncias em pequenas doses, isto te permitirá identificar facilmente quando estiver consumindo mais do que o usual. Tomar chá de folha de coca (se possível) ou outras infusões psicoativas que podem te ajudar a manter-se e estar ativo sem ansiedade e sem necessariamente aumentar as doses;
  • Não exceda o consumo de bebidas como café ou chá preto/verde. Procure evitar bebidas energéticas (estimulantes), pois elas podem aumentar teu nível de ansiedade;
  • Se tem gripe ou sintomas relacionados, o melhor é que comunique o serviço de saúde e se mantenha em quarentena sem dividir espaços com amigos ou familiares. Se os sintomas se agravarem procure ajuda médica;
  • Se é usuário de substâncias psicoativas, tem HIV e se encontra em tratamento retroviral, aconselhamos a não consumir todos os dias, deve ter precaução com substâncias como cocaína e MDMA. O MDMA gera redução das respostas imunológicas do organismo comprometendo o tratamento com o coquetel retroviral;
  • Se tiver abastecido de substâncias psicoativas, não vá com com tudo nos primeiros dias, racione as substâncias. Lembre que os vendedores também estão em isolamento social. Não se arrisque comprando de desconhecidos;
  • No caso de maconha, não consuma cigarros que venham prontos. Se compra assim, te recomendamos desmontá-los e refazê-los com papel novo;
  • Procure não fumar com a casa toda fechada. Não fume o dia inteiro. Dosifica a quantidade;
  • Se é consumidor de heroína ou opioides tente abastecer-se de metadona por 2 semanas para a abstinência;
  • Se consome habitualmente cocaína e outros estimulantes (anfetaminas, ex.) tenha em conta que o consumo destas substâncias podem aumentar tua ansiedade, e mais ansiedade em isolamento social pode te levar à quadros agudos de complicações psicológicas como depressão, pânico, TOC e outros transtornos;
  • Não beba álcool todos os dias, o álcool deprime o Sistema Nervoso, aumentando a sensação de solidão;
  • Não faça festas em casa. Não vá em festas ou outros tipos de aglomerações, procure outras formas de conviver com as pessoas queridas (fale com seu bando);
  • Assegure-se de ter camisinhas à mão;
  • Não consuma diante de crianças;
  • Cada vez que quiser consumir pensa de 1 a 10 quanto necessita? Pergunte-se se existe outra forma de acalmar tua ansiedade. Poderá evitar o consumo ou o aumento do consumo;
  • Pratique yoga, meditação, etc.. Faça alguma atividade física em casa;
  • Mantenha uma dieta rica em verduras, frutas, vitamina C e proteínas;
  • Evite o consumo excessivo de açúcar, sua capacidade estimulante e viciante pode aumentar a ansiedade mais que o café e chá preto/verde, não alimente mais a ansiedade;
  • Lembre-se de ficar em casa se puder;
  • Se tiver ido à festas e consumido demais antes da pandemia, o isolamento pode ser uma oportunidade para reduzir o consumo, dar um respiro ao corpo.

Fazemos um chamado à que se solidarize com as pessoas que não tem lugar onde refugiar-se. Se puder, doe alimento e abrigo. Ajude-os a encontrar um lugar de passagem ou centro de ajuda.

Texto adaptado de:

http://www.echelecabeza.com/consumo-de-sustancias-psicoactivas-en-cuarentena

OS KUIKURO PEDEM APOIO PARA SE DEFENDEREM DA PANDEMIA (AIKAX, Xingu, MS)

As Nações Indígenas, diante do Covid-19, correm sérios riscos de serem dizimadas. Visando a prevenção e o bem-estar dos habitantes das comunidades indígenas do Alto Xingu, a Associação Indígena Kuikuro Alto Xingu – AIKAX, beneficiária da Campanha, está lançando um alerta vermelho: Precisa de ajuda com 3 itens importantes para se prevenir nesta quarentena.

Se você, como nós, não se conforma com essa realidade. Colabore!

Com o montante arrecado vamos comprar :

Remédios e equipamentos hospitalares como nebulizadores; 01 Motor de Popa 90 HP e Barco 12 metros; 01 Caminhão 4 x 4, zero km

Escutemos as vozes dos Guardiões da Floresta e façamos a nossa parte!

Esta luta e’ de todos!

Nós Kuikuro somos um povo de língua caribe, habitantes tradicionais do Alto Xingu. Vivemos na Terra Indígena do Xingu, estado do Mato Grosso, Brasil.

Por sua vibrante cultura, os povos xinguanos são conhecidos como egi otomo (mestres de cantos), kehege otomo (mestres de rezas), gekuilene otomo (mestres da alegria) ou inhanhene otomo (mestres do artesanato)”.

Habitando uma zona de transição entre o cerrado do Brasil Central e a floresta amazônica, nós ajudamos a preservar uma área vital para a sobrevivência do Planeta.

Agora estamos ameaçados pela pandemia do COVID-19. Temos presente na memória a devastação que as epidemias de varíola, sarampo e mesmo gripe causou em nosso povo. Sabemos o que é ver os parentes morrerem e nem termos forças para enterrá-los por estarem todos doentes.

Fechamos o nosso território para que ninguém contaminado aqui possa entrar. Mas essa é uma tarefa difícil e não sabemos por quanto tempo teremos que resistir. Não podemos depender mais apenas do governo. Temos que tomar a nossa chance de sobrevivência em nossas mãos.

Por isso, precisamos de ajuda para proteger as nossas terras e o nosso povo.

No momento em que o mundo para, temos que escutar, reconectar e ajudar aqueles que sempre nos ajudam a ouvir a natureza.

Por favor, apóiem o povo Kuikuro por meio de sua Associação. Os recursos serão destinados à defesa de nosso território e para atender possíveis emergências. No momento, ainda estamos com saúde e acabamos de realizar um grande ritual para a construção da Casa das Flautas (Kuakutu) no centro da aldeia.

Queremos continuar a dançar e cantar pela saúde do Planeta e das gerações que ainda estão por nascer.

Apoiem os Kuikuro!

https://www.catarse.me/indigenascontracovid-19

Mapa da Resistência ao Coronavírus em Pernambuco

Apoie uma campanha no seu bairro;
Ajude na Resistência ao Coronavírus!

Conheça o Mapa Solidário

Se você tem vontade de ajudar a crescente população vulnerável em Pernambuco e não sabe como, acesse:

https://mapasolidario.riacho.info

Lá você pode procurar iniciativas solidárias próximas a você.

Basta clicar nos balõezinhos e ver informações sobre campanhas de apoio e dados para doações financeiras ou arrecadação de alimentos e materiais de higiene.

Muitas famílias têm enfrentado dificuldades para manter suas fontes de renda e atender necessidades básicas de alimentação e higiene com o avanço da pandemia da Covid-19 no estado. Algumas pessoas têm se organizado em campanhas para arrecadar alimentos, remédios e kits de higiene e ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade. Para fazer a ponte entre essas iniciativas e interessados em ajudar, a Rádio Comunitária Aconchego (Engenho do Meio) e parceiras/os criaram o Mapa Solidário (mapasolidario.riacho.info), que agrega até o momento 88 localidades na Região Metropolitana do Recife e em todo o estado de Pernambuco.

A navegação no site, simples e intuitiva, funciona como uma vitrine, que dá visibilidade a iniciativas de solidariedade e facilita o acesso de quem quer ajudar mas não sabe como. Ao acessar o site do Mapa Solidário, o doador ou a doadora pode navegar em um mapa e ver os pontos de doação distribuídos do litoral ao sertão do estado. Com um clique do mouse, é possível visualizar nome da organização, telefones de contato, site, rede sociais e link para fazer uma doação direta.

O Mapa Solidário reúne, até o momento, cerca de 20 campanhas. Há iniciativas de ONGs, organizações feministas (Fórum de Mulheres de Pernambuco, Casa da Mulher do Nordeste, Grupo Mulher Maravilha) e LGBTQ (Transviver), articulações de bairro e comunitárias (como GRIS Solidário/Casa Maria de Lourdes, Centro Comunitário Mário Andrade, Rede Tumulto, Caranguejo Tabaiares Resiste) além de campanhas que surgiram no contexto da Covid-19, como é o caso da Comunidade Frei Damião (Caetés 1). Entidades interessadas em divulgar suas campanhas podem preencher um formulário disponível no site e solicitar a sua inclusão, que será feita em até 48 horas.”

Mais que nunca, nosso bem estar depende de um esforço coletivo. A nossa saúde depende de medidas de higiene indicadas para combater o Coronavírus. E, principalmente, a sobrevivência de muitos depende da solidariedade dos que ainda conseguem manter sua renda neste momento crítico. Temos que substituir tédio por solidariedade.”, ressaltam os organizadores do mapa.

Serviço:
Iniciativa: Rádio Aconchego e parceiros
Site: https://mapasolidario.riacho.info
Contato: mapasolidario@riseup.net

GRIS Solidário/Casa Maria de Lourdes recebe doações na Várzea (Recife, PE)

GRIS, Toda a ajuda importa, toda colaboração faz diferença, cada ação é importante

Mais um mês de pandemia e o GRIS Solidário continua arrecadando recursos para doação de kits de alimentação e higiene. O bairro da Várzea, no Recife, é um dos mais populosos da Região Metropolitana: atender a crescente demanda por auxílio requer muita solidariedade e doações. Aos sábados, acontece a distribuição de kits alimentação que incluem alimentos não perecíveis, frutas e verduras, além dos kits de higiene com álcool e água sanitária, máscara de tecido, luvas de látex sabonete líquido. Os itens são comprados em atacado e nos comércios do bairro. O valor médio dos kits é de 60 reais e chegamos a distribuir mais de 200 kits no início de maio.

As doações são feitas através de depósito bancário e do pag seguro, com valores a partir de 10 reais. Fortaleça a solidariedade e vamos juntas resistir ao Coronavírus <3

Doações via PagSeguro (boleto e cartões):

10 reais: https://pag.ae/7V-uG4UX6/button
50 reais: https://pag.ae/7V-uGNDep/button
100 reais: https://pag.ae/7V-uHmkHQ/button

Doações via depósito bancário:
Caixa Econômica Federal
Ag.: 0678
Operação: 013
Conta: 00070481-3
Joice Poliana da Paixão Sales

Banco do Brasil
Ag.: 1488-5
Cc: 10614-3
Neura Mendes da Silva

Sobre a entidade:

O GRIS Espaço Solidário – Casa Maria de Lourdes, localizado no bairro da Várzea, Recife – PE, foi criado em agosto de 2018 com o objetivo de oferecer suporte assistencial à população em condição de vulnerabilidade socioeconômica residente em seu entorno. A entidade, financiada através de doações e bazares solidários, atende prioritariamente crianças e jovens de 05 a 15 anos e suas famílias. As atividades incluem: distribuição de cestas básicas, materiais de limpeza e higiene, eletrodomésticos e roupas, atendimento médico, terapias holísticas; acompanhamento terapêutico, acompanhamento social, acompanhamento pedagógico, reforço escolar e aulas de Xadrez e Inglês.

Bingo do Auto cuidado (CHAYN)

Traduzido e adaptado de chayn.co por luanafaustini.com

A CHAYN é um rede global de voluntariado que atua gerando informações e suporte às vítimas de violência de gênero. Uma das estratégias adotadas para apoiar as pessoas é a criação de recursos on-line por e para ajudar mulheres vítimas de abuso e ajuda-las a encontrar meios para assumirem o controle de suas vidas.

Durante a pandemia do Novo Coronavírus, uma parte da equipe da rede criou um canal no Telegram com dicas e cuidados para vencer desafios como a solidão e a depressão durante o isolamento social, tal como mensagens sobre encorajamento, resiliência e felicidade. O conteúdo é em inglês e somente por convite, mas nos vamos entregar a chave para que você possa acompanhar tudo.

????️ https://t.me/joinchat/AAAAAFH1r7Goj7j3ZgOnPA

O canal compartilha textos, vídeos de bate-papo com especialistas, stickers divertidos, desenhos, enquetes, dicas de atividades de relaxamento, palavras cruzadas e esse lindíssimo Bingo do Auto Cuidado que nossa compa, a designer, desenvolvedora e ilustradora Luana Faustini muito gentilmente fez a tradução e adaptação para o Português falado no Brasil.

Faça o download do arquivo em alta resolução para utilizar onde quiser:

Thanks Chayn <3

Apoio emergencial à ocupação Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, RJ)

Além de lidar com os efeitos da pandemia, a ocupação passa por graves problemas elétricos e hidráulicos de longo tempo, causando sérios riscos de incêndio no prédio pela não condição de sua manutenção. Por isso estamos solicitando a ajuda de todas as pessoas que puderem colaborar nessa campanha de arrecadação. É necessário realizar a manutenção dessa estrutura urgentemente! Além do mais, ressaltamos ainda que os problemas hidráulicos estão prejudicando a saúde de todas e todos, o que torna os moradores da ocupação mais vulneráveis as complicações do coronavírus.

A Chiquinha Gonzaga é uma importante ocupação urbana organizada e localizada no centro do Rio de Janeiro. Ocupação precursora, que impulsionou outras e possibilitou assim que diversas famílias tivessem uma habitação e se integrassem na luta por habitação popular para outras pessoas.

A ocupação, que completa 16 anos de resistência agora em julho de 2020, também está sentindo na pele os efeitos do agravamento da situação de desigualdade econômica e social que essa pandemia coloca. São trabalhadores autônomos, camelôs ou têm vínculos precários de trabalho e nesse momento de crise sanitária muitos estão desempregados ou perderam sua renda diária por não poderem estar trabalhando.

Sabemos que estamos todos com dificuldades e preocupados em resolver nossos próprios problemas em meio a essa pandemia, mas essa situação catastrófica não atinge a todas da mesma forma. Nesse momento, solidariedade e apoio mútuo se fazem mais necessários que nunca.

Acesse: http://vaka.me/1039763

Resistindo em uma Ocupação no meio da Pandemia

Meu nome aqui é Z. Vivo em Belo Horizonte, em uma ocupação chamada Kasa Invisível. Como todas as pessoas em quase todos os cantos do mundo, estamos em isolamento em casa, praticamente sem trabalhar, tentando encontrar formas de manter nossa saúde, nossas vidas e as das pessoas que amamos. Nessa jornada, estamos descobrindo como adaptar nossas práticas, ampliar nosso poder de atuação tanto dentro da ocupação como na relação com nosso bairro, nossa comunidade e as redes de apoio que nos cercam. Essa é uma tentativa de relato pessoal sobre essa experiência e as lições que é possível tirar dela.

A tal da ficha caindo

Ainda lembro exatamente do momento que minha ficha caiu e me dei conta de que estamos em um momento muito sério, algo que não vimos na nossa geração e nem na dos nossos avós. Estava com minha companheira, que também faz parte do coletivo gestor da Kasa, em uma lanchonete tomando nosso último milkshake em um espaço público antes da pandemia ser oficialmente decretada e as políticas de isolamento começarem a ser implementadas em nossa cidade. Esperávamos nossa bebida enquanto falávamos sobre o possível adiamento do aniversário de 7 anos da ocupação, um evento sempre especial para nós por celebrar mais um ano segurando esse chão sob nossos pés, que esse ano contaria com relatos de participantes das revoltas no Chile e um vídeo-debate com membros de diferentes torcidas organizadas de esquerda de Belo Horizonte sobre a participação das torcidas no processo de lutas chilenas. Ou seja, algo com muita potência organizado com muito carinho e cuidado.

Cartaz anunciando adiamento do aniversário de 7 anos da ocupação Kasa Invisível.

Creio que o que me sacudiu, naquela conversa, foi ouvir da minha companheira que em dois dias todo o prédio onde ela trabalha iria ser fechado e os funcionários passariam a trabalhar de casa. Até então, para mim, a possibilidade de ver comércios fechados, pessoas de máscara nas ruas, estado de calamidade decretado e toda aquela cena apocalíptica era algo distante. É como pensar nas imagens dos noticiários que parecem sempre distantes: uma rua na China onde todos usam máscaras por conta da poluição ou de uma nova doença infecciosa ou as cenas de caos e escassez na Venezuela. Tudo isso soa tão distante quanto aquela imagem de tropas estrangeiras ocupando um país minúsculo no Oriente Médio.

Nesses momentos vem a necessidade de lembrar que vivemos em um mundo de guerras e crises permanentes, onde momentos e locais que parecem “pacíficos” e “em ordem”, são apenas um enclave, um território limitado e cada vez mais raro em um planeta coberto de degradação, poluição, brutalidade, desigualdade e desespero. A crise é a forma de governo predominante e a guerra é o estado perpétuo para a maioria da população e dos seres vivos soterrados pelo avanço do capitalismo sobre o planeta, indo do fundo dos oceanos e até o cosmos. As pessoas devem saber que são parte de uma minoria muito sortuda quando não estão no caminho de uma barragem se rompendo com lixo tóxico da Vale ou na mira dos fuzis das polícias que matam como pandemias – seja sob um governo de Lula ou de Bolsonaro.

Foi curiosamente triste perceber, logo no início, que o tal distanciamento social não mudou muito minha rotina. No início, costumava brincar que já vivia isolado em casa, sem renda e com medo do futuro da humanidade antes de ser uma tendência mundial. Na real, tirando meu trabalho como autônomo ou fazendo alguns bicos e as atividades culturais da ocupação e outras atividades políticas, meu cotidiano não mudou muita coisa. Mas foi chocante mesmo me dar conta de que essas notícias bizarras saídas literalmente do outro lado do mundo, levariam ao cancelamento do nosso evento naquele final de semana e paralisar não só as atividades políticas, mas toda a vida como a conhecemos. Logo em seguida, passamos a refletir sobre como isso colocaria em risco nossos pais, avós, as crianças da nossa ocupação, pessoas em situação de rua e todos que amamos e estão ainda mais vulneráveis que nós. As previsões de saturação do sistema de saúde e de possível colapso do sistema todo pareciam saídas de um filme sobre fim do mundo.

Logo, passamos a refletir em conjunto quais seriam os efeitos disso e como nos preparar para o momento. Morar em uma ocupação significa não perder um dinheiro que jamais voltará pagando aluguel, mas, muitas vezes, também significa que você vai gastar grande parte do seu cotidiano gerindo, defendendo o espaço e cuidando do imóvel em si, consertando o que está quebrado, melhorando as estruturas que toda casa abandonada por décadas precisa melhorar.

O fato de não nos reunirmos mais na ocupação e do espaço suspender todos os seus eventos, não recebermos mais movimentos e sindicatos que usam a Kasa como espaço de reunião, tudo isso é um choque muito grande na rotina de todos nós. Todo o senso de comunidade parece um pouco mutilado quando não nos vemos, nos abraçamos, compartilhamos um café e um lanche nem nos ajudamos nas tarefas cotidianas. Parte do coletivo não mora na ocupação. Conversas por mensagens ou videoconferência podem ser úteis, mas nada substitui o real contato humano, os efeitos biológicos das peles que se tocam e dos olhares que se cruzam.

Porém, como dissemos em uma de nossa notas oficiais: isolamento social é necessário mas não significa inação. É preciso agir! Não podemos sucumbir esperando que as autoridades façam algo por nós porque nossa vida e nosso bem-estar nunca foi uma prioridade para elas. Quando vemos uma situação de conflito ou crise, é urgente tomar partido. Como dizem por aí: “de um jeito ou de outro, um dia todas usaremos máscaras” – seja pra nos esconder de doenças ou da poluição e viver sob o medo; ou para fazer como zapatistas, primera lineas, black blocs ou batalhões internacionalistas em Roajva, que escondem suas identidades para partir para a luta com ainda mais força.

Coletivos, espaços e comunidades: pontos de apoio e de partida

Em momentos como esse fica claro qual é a importância da construção de centros sociais, de movimentos, coletivos e comunidades: estaríamos numa posição muito pior nessa pandemia se não estivéssemos em uma ocupação, gerida coletivamente, sustentada por uma comunidade que se espalha em rede pela cidade e por diferentes partes do país e do mundo. O impacto causado pela necessidade de se isolar em casa, sem trabalhar ou qualquer seguridade social é muito pior se fôssemos obrigados a pagar aluguel sem ter um emprego decente. Muitos de nós recebem Bolsa Família e estão ainda na espera do Auxílio Emergencial, que é como mais uma migalha dos governantes que tudo tiram de nós, mas são garantias mínimas que não podemos abrir mão. Relações em comunidade e o senso de coletividade é fundamental para conseguir nos manter com vida e com saúde em meio a uma crise sanitária que, com certeza, levará a uma crise política e econômica.

Saída para mais um dia de ação solidária com população em situação de rua e trabalhadorxs da região central.

Anos atrás, alguns de nós da ocupação trabalhávamos em uma loja cooperativa. O imóvel era alugado e morávamos também de aluguel em uma casa não muito longe dali. Ou seja, para viver e para trabalhar eram necessários pagar dois aluguéis. Se ainda estivéssemos nessa situação, provavelmente estaríamos muito piores e em total desespero pensando que poderíamos sofrer um despejo de dois lugares diferentes. Ocupar, além de garantir pela ação direta que tenhamos onde morar, serve para mostrar a todas as pessoas que existe muita casa sem gente e muita gente sem casa. Os antigos proprietários do imóvel que ocupamos, por exemplo, possuem dezenas de outras casas, terrenos, prédios em que nenhum deles habita, apenas buscam especular e lucrar num futuro distante enquanto as casas, como a que hoje habitamos e várias outras, se deterioram vazias e sem cuidados. Se dependesse deles, estaríamos na rua agora, em meio à pandemia, enquanto eles continuam com a propriedade de vários imóveis vazios.

Ocupar é questionar essa lógica promovendo mudanças na prática. Centros sociais radicais abrem caminho para novas relações de respeito e confiança com toda a comunidade. Essa confiança que permite a esses espaços reunir recursos, materiais e até força de trabalho. Toda a nossa ocupação foi erguida com base nisso: pessoas confiando no projeto e nas pessoas envolvidas e nos dando seu apoio doando materiais, seu tempo de trabalho, seus conhecimentos ou até dinheiro. E os frutos disso é um espaço mais estruturado, rico em atividades e possibilidades, que é aberto e compartilhado com toda a comunidade. Da geladeira, aos fios que a fazem funcionar, das cadeiras aos livros da biblioteca e suas prateleiras, chegando até o projetor que nos permite exibir filmes gratuitamente, tudo foi doado e confiado à Kasa e ao uso comum. Sem falar no tempo de membros e colaboradores que gastaram horas em mutirões instalando fios, canos, batendo piso, carregando centenas de sacos de entulho, pintando paredes e cozinhando o tropeiro vegano que alimenta cada de mutirão ou mesmo editando vídeo e artigos sobre a Kasa. Um último exemplo simbólico recente: uma família que deixou sua casa no interior de Minas Gerais por estar numa área de risco de rompimento de mais uma barragem da Vale e agora vive há mais de um ano em um hotel bancado pela mineradora, reuniu mantimentos e sabonetes do hotel para compormos dezenas de novos kits de higiene para distribuirmos – nada mais justo que obrigar a Vale a pagar por mais esses insumos. A trágica ironia das tragédias que se sobrepõe e abrem brechas para pequenos gestos solidários.

Dia de produção na cozinha da Kasa Invisível.

Essa caminhada e o ponto em que nos encontramos hoje, foram construídos com muito trabalho organizativo e com muito apoio externo. O planejamento, a organização prévia e a construção cotidiana da luta nos permitiu construir coletivamente esse momento de segurança para as famílias que aqui vivem terem um porto (relativamente) seguro nessa crise sanitária. É desse ponto de organização local que todos precisamos partir: do nível de base, de um imóvel que é lar, mas também é centro social, para o nosso entorno, nossa rua, nosso bairro e nossas redes de apoio com outras organizações e espaços.

Nos posicionando nos conflitos de interesses entre os que tem e os que não tem, fica nítido o quanto abstrações autoritárias como a propriedade privada, o mercado (seja imobiliário ou qualquer outro) servem apenas para beneficiar quem já é rico e vive dos lucros, juros, dividendos e do trabalho dos outros. Ao mesmo tempo que beneficiam poucos, essas abstrações sem sentido prejudicam diretamente a maioria, sugando os recursos de quem precisa viver de salário em salário (se tiver a sorte de ter um!) ou de bico em bico em uma economia precarizada. A lei e a polícia vão garantir que quem possui muitos imóveis, recursos ou dinheiro continue concentrando tudo isso mesmo que milhões estejam com fome, sem casa e sem saúde. A única coisa pior do que estar preso em um trabalho e em uma moradia degradante, é estar preso fora desse mercado, sem acesso a qualquer trabalho ou moradia.

Se um sistema não funciona para todos, é preciso derrubá-lo

“Todos tinham compreendido que a liberdade é uma mentira, quando a maioria da população está condenada a uma existência miserável, quando, privada de educação, de lazer e de pão, ela se vê, por assim dizer, destinada a servir de degrau para os ricos e poderosos. A revolução social apresenta-se, portanto, como uma consequência natural e necessária da revolução política. (…) A opressão de um povo ou mesmo de um simples indivíduo, é a opressão de todos, e não se pode violar a liberdade de um ser sem violar a liberdade de todos.”

Mikhail Bakunin, em Apelo aos Eslavos, 1848

Se um sistema econômico e político que deveria garantir moradia e recursos básicos não funciona para todos em um momento de crise porque alguns tem muito e outros não tem nada, fica óbvio que esse sistema não funciona e deve ser substituído por algo melhor. O mesmo vale para um sistema de saúde: se ele depende do dinheiro que cada pessoa pode pagar individualmente e não cuida de todo mundo que precisa, porque nem todo mundo tem o dinheiro para pagar, então ele é um fracasso. No momento em que entramos numa pandemia em escala mundial, onde a saúde de cada pessoa depende da saúde de todas as outras pessoas, vemos como esse modelo é injusto. Os milhões de doentes e os mortos que chegam a milhares por não poder ser atendidos nos fazem pensar em todas as pessoas que morrem diariamente nas filas dos hospitais lotados e sucateados da rede pública no Brasil, ou por não terem a fortuna necessária para entrar nos hospitais nos Estados Unidos, que são os mais avançados do mundo mas não estão acessíveis para a maioria dos seus cidadãos.

Nesse momento, a máxima anarquista atribuída a Bakunin, de que “ninguém é livre até que todas as pessoas sejam livres”, se torna verdadeira quando analisamos pelo lado da saúde: ninguém está a salvo da pandemia de Covid-19 até que todas as pessoas estejam também a salvo. A minha saúde nunca dependeu tanto da certeza de que todos ao meu redor também estejam saudáveis. Enquanto não existir vacina e imunidade, seremos lembrados de que uma pessoa doente é literalmente o risco de todas estarmos doentes e de que milhões podem morrer de uma forma terrível e solitária. Se isso nos diz algo, é que devemos encarar todas as coisas que ameaçam nossas vidas sob essa ótica: ou é para todos ou não serve. Se alguém não tem acesso garantido a moradia, comida, saúde, liberdade e bem-estar, devemos todos considerar sua miséria como uma ameaça a todas as pessoas e à sociedade. Ou nossa sociedade está organizada para garantir a todos a liberdade e o acesso a recursos necessários à vida, ou ela está organizada de forma a garantir que uma minoria privilegiada possua e administre os recursos, enquanto a vasta maioria não tem nada a não ser salários e migalhas estipuladas por essa minoria. No caso do Brasil, onde 6 bilionários possuem mais riqueza que 100 milhões de brasileiros juntos, sabemos muito bem qual é o nosso caso.

Montando os kits

Precisamos garantir que tenhamos saúde, mas que todas as pessoas ao nosso redor também tenham. Se elas estão bem, mantemos a tal curva achatada, não sobrecarregamos os hospitais, não estressamos ainda mais profissionais de saúde que se arriscam todos os dias para salvar vidas e ganhamos tempo até que alguma solução, uma vacina, um tratamento, sejam criados.

A proposta da Kasa sempre foi servir de apoio comunitário, oferecendo atividades, cursos, oficinas, música, artes, biblioteca para todas as pessoas, sempre com acesso livre e gratuito. Por alguns anos, mantivemos uma Loja Grátis na Kasa, que por vezes era montada na calçada, fornecendo roupas, calçados, ferramentas, eletrodomésticos, livros e vários outros materiais doados para a Kasa e disponíveis para quem quisesse pegar. Uma das principais funções da loja grátis era manter um vínculo e um ponto de apoio entre a ocupa e a população de rua da região. Muitas pessoas pegavam diariamente roupas, cobertores e o que mais precisassem. Desativamos a loja temporariamente, pois precisamos de espaço para instalar uma cozinha cooperativa onde moradores da Kasa podem produzir comida para vender e ter uma renda sem precisar trabalhar fora. Mas os anos em que ela esteve ativa serviu para conhecermos muitas pessoas e estabelecer alguma relação de apoio mútuo. Pensamos que retomar relação e uma forma de apoio à população de rua seria fundamental nesse momento. Assim, inspirados por ações de outros coletivos e movimentos de outros países como EUA e Chile, resolvemos bolar uma campanha para fornecer comida e kits de higiene gratuitos para pessoas em nosso bairro.

Dentro um raio de 5 quarteirões, existem ao menos outra duas ocupações recentes e com menos visibilidade. Além disso, aqui no centro da cidade, existe uma população crescente em situação de rua. Uma vez que consolidamos tanto visibilidade quanto a confiança de nossa comunidade, julgamos ser necessário usar desses elementos para promover algum apoio que beneficie os membros mais vulnerabilizados em nossa vizinhança.

Primeiro dia de entrega dos kits e da marmita na Praça Raul Soares, em 23 de abril de 2020.

Reflexões em meio à luta contra os efeitos da pandemia

Falando agora um pouco da prática nesses últimos meses, rapidamente engolimos a frustração de adiar indefinidamente o aniversário da ocupação e repensamos nossa dinâmica. Suspendemos todos os eventos e visitas de todos que não são moradores ou membros do coletivo. Anunciamos nossa nova política para o momento e inspirados por ações que vimos em diferentes partes do mundo, especialmente o pessoal do Bike System, com ações na Cracolândia em São Paulo e a Casa da Resistência, em Feira de Santana na Bahia. Tanto a estética e as estratégias para o chamado foram uma referência para nós.

Kits com o bilhete informativo.
Montagem das marmitas com a cooperativa Botequim Vegano.

Fizemos uma imagem e uma nota da campanha e difundimos nas mídias sociais, e-mails e canais em aplicativos de mensagem. Em poucas semanas conseguimos angariar cestas básicas, sabão, água, máscaras descartáveis e de pano e dinheiro para comprar outros insumos como embalagens e ingredientes para produzir as marmitas que vão junto do kit. Membros da Kasa Invisível conseguiram máquinas de costura emprestadas e passaram a produzir também máscaras de pano. Um brechó vizinho doou retalho, outras máscaras chegaram de doação por correio. Vários colaboradores produziram outras e também doaram. Assim, iniciamos a distribuição semanal dos kits e das marmitas em nossa região, que vão junto com um bilhete com dicas de higiene e informações sobre como recorrer ao Auxílio Emergencial de R$600,00. Entregando nas ruas ouvimos muita demanda por escovas e pasta de dente, então, após uma contribuição da Pastoral de Rua, conseguimos adicionar uma centena desses itens em nossa distribuição

Com a pandemia, ficou gritante o desamparo de pessoas que estão na rua e dependiam da relação com comerciantes e lojistas para catar material reciclado, conseguir comida e outras doações. Mesmo o Auxílio Emergencial continua uma promessa por cumprir, pois as opções para conseguir são ter um celular ou acesso à internet, o que parece uma piada quando sugerido para a população em situação de rua. Mesmo assim, tentamos orientar e avisar as pessoas que esse auxílio existe e é direito delas conseguir acesso a ele.

Logo de início, conhecemos outros projetos atuando na mesma região com uma frequência bem maior que a nossa, fazendo distribuição diariamente. Poucas pessoas do nosso coletivo tinham participado de ações sistemáticas de apoio à população de rua e suas experiências também contaram. Como fazemos desde o primeiro prego batido no primeiro mutirão, registramos cada passo em vídeo e fotos que fomos compartilhando em nossas mídias e arquivando. O coletivo Antimídia se ofereceu para produzir um breve vídeo para divulgar a ação e inspirar novas ações em outros lugares. A cada dia, outras formas de solidariedade começam a surgir. Camaradas envolvidos em outras ações maiores com organizações e empresas conseguiram canalizar dezenas de cestas básicas a serem entregues tanto aqui na Kasa Invisível como na Ocupação Guarani Kaiowá, uma grande ocupação em Contagem, região metropolitana de BH. Uma cooperativa familiar de pães doou dezenas de pães artesanais, amigos e familiares trouxeram o resultado de suas colheitas em terrenos ou quintais e a Kasa se encheu de tomates, mandioca e cestas básicas que recebem a mais. Roupas também começaram a chegar e, junto das cestas e outros alimentos, fomos direcionando a maior parte para as ocupações vizinhas que, como mencionei, não contam com um rosto público como a nossa. Em um tempo relativamente curto, uma época de isolamento, de medo da escassez e de incertezas passou a ser uma época de conexões, novos e antigos laços e, principalmente, de fartura e de partilha.

Conclusão: mudanças sérias precisam acontecer

“Uma parte desta sociedade tem absoluto interesse em que a ordem siga reinando; a outra, em que tudo se derrube o mais rápido possível. Decidir de que lado está é o primeiro passo.”

Ai Ferri Corti

O momento que vivemos não é um capítulo descontinuado na história do mundo. Ele é produto da exploração capitalista e do agronegócio, da domesticação e da devastação da vida animal e vegetal, do nível cósmico ao microbiológico. As forças autoritárias que aproveitam desse momento para refinar suas táticas e tornar mais brutais suas leis, são as mesmas que já vinham emergindo nas últimas décadas, agora e cada vez mais sob a sombra do populismo nacionalista de direita que engole todos os continentes. Toda crise é uma encruzilhada histórica, é um momento de mudança. Se não usarmos nossas habilidades e nossa capacidade de organização para fortalecer laços comunitários e nossa capacidade organizativa para a luta social, podemos ter certeza que governos, milícias e gangues fascistas estarão fortalecendo seus mecanismos.

Quando falamos sobre como as coisas poderiam ser ou como mudanças deveriam ser aplicadas, as pessoas podem prestar alguma atenção, mas se agimos enquanto falamos, mais pessoas vão prestar a atenção e mais a sério somos levados. Nossos mortos já são incontáveis e muitos ainda estão por vir. É nos cuidando, lutando pela continuidade de nossas vidas e nossas comunidades que vamos cuidar da vida de todos, rua por rua, bairro por bairro, aldeia por aldeia, favela por favela. Desde que entramos nesse imóvel em ruínas, sem piso, teto ou encanamentos, que hoje abriga e nutre vidas e de onde hoje escrevo essas palavras, lembramos e citamos a frase de Durruti na Revolução Espanhola: “Mas nós sempre vivemos em cortiços e buracos nas paredes. Saberemos como arranjar-nos durante algum tempo. Pois não devem esquecer que também sabemos construir. Fomos nós que construímos os palácios e as cidades na Espanha, na América e em toda a parte. Nós, os operários, saberemos construir outros para tomar o lugar dos que forem destruídos. E ainda melhores. Não temos medo de ruínas. Nós herdaremos a terra. Quanto a isso não há a menor dúvida. Os burgueses podem fazer explodir e destruir o seu mundo antes de abandonarem o palco da história. Nós trazemos um novo mundo em nossos corações. E esse mundo está crescendo a cada minuto que passa.

E assim seguiremos, carregando as sementes de um mundo novo, mesmo que caminhando à beira dos vulcões da história.

Não tememos as ruínas porque erguemos tudo que há nesse mundo!

Campanha de solidariedade às mães da comunidade indígena Kaingang Por Fi Ga (São Leopoldo, RS)

Na comunidade indígena Kaingang Por Fi Ga, localizada em São Leopoldo/RS, temos hoje 64 mulheres mães vivendo em situação de grande vulnerabilidade devido às limitações que o novo coronavírus impõe à comercialização do artesanato tradicional na cidade.

Neste momento, são 8 mulheres gestantes que não estão conseguindo ter acesso aos itens necessários para elas e para os bebês que irão nascer, como roupas, fraldas, materiais de higiene e alimentação saudável.

Tendo conhecido essa realidade, algumas dessas mulheres e de seus filhos, estamos buscando alternativas para colaborar com a comunidade neste momento sem deixar de entender que existem direitos a serem garantidos pelo Estado para a proteção da vida destes cidadãos. Este é apenas um outro movimento.

Assim, além de divulgar os artesanatos que estão sendo produzidos e serão entregues assim que a situação permitir, estamos arrecadando fraldas, roupas infantis, materiais de higiene, cobertas e alimentos. Tudo será higienizado antes de ser entregue para evitar o contágio através do vírus.

Se você tem algo em casa que sua criança não está mais usando, passe adiante. Se tem roupas de inverno que não estão servindo mais, doe. Se não tem nada para doar mas gostaria de ajudar, transfira algum valor possível para você. Qualquer ajuda é melhor que nenhuma ajuda.

Khey Tomas 51 995977998
Laisa 51 993531334
Alessandra 51 997267088

[Vídeo] Kasa Invisível: Apoio Mútuo em tempos de Covid 19 (Belo Horizonte, MG)

Diante da grave epidemia que assola o planeta, iniciativas de solidariedade e apoio mútuo vem se multiplicado.

Na região central de Belo Horizonte, o Coletivo Kasa Invisível tem se articulado semanalmente para arrecadar doações de dinheiro, alimentos, itens de higiene, afim de contribuir com a população de rua do centro de Belo Horizonte, famílias necessitadas e outras ocupações de luta pelo direito a moradia.

O coletivo também tem produzido máscaras de pano, que são distribuídas juntamente a esses kits.

Esse vídeo documenta um pouco desse processo.

É importante seguirmos fortalecendo ações de solidariedade e apoio mútuo e de enfrentamento ao capital, sem esquecermos dos impactos do sucateamento histórico do sistema de saúde pública, desprotegendo a população pobre em benefício de grandes empresários, que observam direitos básicos como mercadoria.

Seguimos apoiando o isolamento social, sem acreditar, no entanto, que isso signifique inação.

Coletivo Kasa Invisível


Um convite de Antimídia

O apoio mútuo é um dos pilares do anarquismo. E é em crises como a pandemia de COVID-19 que ele se faz mais presente e importante. Esse vídeo é um registro das ações de apoio mútuo realizadas pela Kasa Invisível, ocupação e centro social em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Esse é possivelmente o primeiro de uma série de vídeos sobre ações de apoio mútuo nos territórios chamados de “Brasil”. Envie você também registros e depoimentos sobre ações semelhantes das quais você ou grupos próximos participam. Entre em contato com a Antimída: https://antimidia.noblogs.org/contato/

Ações emergenciais periferias de Olinda (Rede Orgânica Periférica, Olinda, PE)

O Novo Coronavírus está atingindo as periferias brasileiras de forma avassaladora!

Nas comunidades do município de Olinda que já se encontram em situação de extrema vulnerabilidade social, como Peixinhos, Alto Sol Nascente, Salgadinho, Alto da Conquista, Rio Doce, Passarinho e Alto da Bondade, que cobrem uma área com cerca de 58.000 habitantes, a pandemia traz o risco de um colapso social e econômico.

Pedimos a sua ajuda na arrecadação de recursos para a produção de kits com alimentos e produtos de limpeza, cada um no valor de R$ 130,00 a serem distribuídos para pelo menos 1.400 famílias.

A maior parte das pessoas nestas comunidades sobrevive do trabalho informal (uma realidade brasileira segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, já que 40,7% dos trabalhadores estão na informalidade) e depende das saídas diárias para garantir o sustento de suas famílias. Ainda que tenhamos o importante auxílio da Renda Básica emergencial, ele não será o suficiente para garantir a soberania alimentar das famílias nos bairros. Além disso, em muitas das ações dos órgãos públicos, pouco se tem feito em termos de acesso a produtos que viabilizem as medidas necessárias de higiene para a prevenção do contágio pelo Covid-19. Para além do problema estrutural de falta de água em nossas comunidades, não há recursos para a compra de materiais de limpeza em um momento em que já falta comida na mesa.

A situação é de urgência e exige medidas imediatas!

A sua doação, qualquer que seja o valor, é muito importante para a sobrevivência dessas famílias em um cenário de desesperança. Juntos somos mais fortes na preservação da vida nas nossas comunidades!

A Rede Orgânica Periférica de Olinda é um coletivo criado em caráter emergencial com lideranças de organizações comunitárias: Grupo Comunidade Assumindo suas Crianças, Grupo S.O.L., Grupo de Teatro Atual, Boi Mandingueiro, Ação com Esperança, Projeto Feneaalto, Coletivo Sempre Vivas, Movimento Cultural Boca do Lixo, Biblioteca Multicultural Nascedouro e Biblioteca Solar de Ler.

Transparência: postaremos em nossas redes sociais fotos e relatos de todas as ações feitas com as doações. Lá você pode encontrar ainda informações sobre a atuação dos grupos nas comunidades e sobre os bairros que compõem a Rede. E também ações da nossa produção comunitária de sabão ecológico e produtos de limpeza. Com o pouco que arrecadamos (menos de R$1.000,00), já atingimos 235 famílias! Você pode nos ajudar a atingir muito mais!

https://abacashi.com/p/covid-19-acoes-emergenciais-periferias-de-olinda

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