Apoio Mútuo

Mudanças sérias precisam acontecer

Categoria: Passo a passo

Como Formar Um Grupo de Afinidade – A Unidade Fundamental da Organização Anarquista

por coletivo CrimethInc.

Vivemos uma época turbulenta. Manifestações e contramanifestações, bloqueios, revoltas e confrontos explodem com frequência. Além disso, ações diretas solidárias e de apoio mútuo são cada vez mais presentes para manter pessoas e comunidades com vida e saúde em meio a crises sanitárias e econômicas que o capitalismo apresenta. Já passou da hora de nos organizarmos para os levantes que estão a caminho.

Mas organizar-se não significa ingressar em uma instituição preexistente e receber ordens. Não deve significar perder sua capacidade de agir e inteligência para, ao final, se tornar apenas uma engrenagem em uma máquina. De uma perspectiva anarquista, a estrutura organizacional deve elevar ao máximo tanto a liberdade quanto a coordenação voluntária em todos os níveis e escalas, desde o menor grupo até a sociedade como um todo.

Você e suas amizades já constituem um grupo de afinidade, o tijolo fundamental desse modelo. Um grupo de afinidade é um círculo de pessoas amigas que se entendem como uma força política autônoma. A ideia é que as pessoas que já conheçam e confiem umas nas outras devam trabalhar juntas para responder de forma imediata, inteligente e flexível às situações que surgem diante delas.

Este formato sem liderança provou ser eficaz para atividades de guerrilha de todos os tipos, assim como o que a RAND Corporation chama de tática de “enxame”, na qual muitos grupos autônomos imprevisíveis sobrecarregam um adversário centralizado. É bom que você vá a todas as manifestações estando em um grupo de afinidade, com um senso compartilhado dos seus objetivos e capacidades. Se você estiver em um grupo que tenha experiência em agir em conjunto, estará muito melhor preparada para lidar com emergências e aproveitar ao máximo as oportunidades inesperadas.

Esse guia é adaptado de uma versão anterior que apareceu no nosso Receitas para o Desastre: Um Livro de Receitas Anarquista.

Grupos de Afinidade são Poderosos

Levando em conta o seu pequeno tamanho, os grupos de afinidade podem alcançar um impacto desproporcionalmente poderoso. Em contraste com as estruturas hierárquicas tradicionais, eles são livres para se adaptar a qualquer situação, não precisam passar suas decisões através de um complicado processo de ratificação e todas as participantes podem agir e reagir instantaneamente sem esperar por ordens — ainda mantendo uma ideia clara do que esperar uma da outra. A admiração e a inspiração mútua em que são fundados torna muito difícil desmoralizá-los. Em forte contraste com as estruturas capitalistas, fascistas e socialistas autoritárias, eles funcionam sem necessidade de hierarquia ou coerção. Participar de um grupo de afinidade pode ser gratificante e divertido, além de eficaz.

Acima de tudo, os grupos de afinidade são motivados por desejo compartilhado e lealdade e não pelo lucro, pelo dever ou por qualquer outra compensação ou abstração. Não é surpreende que tropas inteiras de policiais de choque tenham sido repelidos por grupos de afinidade armados apenas com pedras e as próprias bombas de gás lacrimogênio atiradas contra eles.

O Grupo de Afinidade é um Modelo Flexível

Alguns grupos de afinidade são formais e imersivos: os participantes vivem juntos, compartilhando tudo em comum. Mas um grupo de afinidade não precisa ser um arranjo permanente. Pode servir como uma estrutura de conveniência, reunida a partir do agrupamento de pessoas confiáveis e com interesses em comum durante um determinado projeto.

Uma equipe específica pode agir em conjunto repetidamente como um grupo de afinidade, mas os membros também podem se dividir em grupos de afinidade menores, participar de outros grupos de afinidade ou agir fora da estrutura do grupo de afinidade. A liberdade de se associar e organizar como cada pessoa considera adequada é um princípio anarquista fundamental; isso promove a abundância, de modo que nenhuma pessoa ou grupo único é essencial para o funcionamento do todo, e diferentes grupos podem se reconfigurar conforme necessário.

O grupo de afinidade é um modelo flexível.

Escolham a Escala Certa Para Vocês

Um grupo de afinidade pode variar de dois a talvez até quinze indivíduos, dependendo dos seus objetivos. No entanto, nenhum grupo deve ser tão numeroso que uma conversa informal sobre questões urgentes seja impossível. Vocês sempre podem se dividir em dois ou mais grupos, se necessário. Em ações que exigem dirigir, por exemplo, o sistema mais fácil é geralmente ter um grupo de afinidade para cada veículo.

Conhecer Uma a Outra Intimamente

Aprenda os pontos fortes, as vulnerabilidades e o histórico de cada pessoa, para que vocês saibam com o que podem contar entre si. Discutam suas análises de cada situação em que vocês estão entrando e o que vale a pena realizar nela — identifique onde elas se encaixam, onde são complementares e onde elas diferem, para que vocês estejam prontas para tomar decisões em frações de segundo.

Uma maneira de desenvolver a intimidade política é ler e discutir textos juntas, mas nada supera a experiência “de campo”. Comecem devagar para não sobrecarregar. Uma vez que vocês tenham estabelecido uma linguagem comum e dinâmicas internas saudáveis, vocês estão prontas para identificar os objetivos que desejam alcançar, preparar um plano e entrar em ação.

Decida Níveis de Segurança Adequados do Seu Grupo

Grupos de afinidade são resistentes à infiltração porque todos os membros compartilham história e intimidade umas com as outras e ninguém fora do grupo precisa ser informada sobre seus planos ou atividades.

Uma vez montado, um grupo de afinidade deve estabelecer um conjunto compartilhado de práticas de segurança e cumpri-las. Em alguns casos, o grupo pode se dar ao luxo de ser público e transparente sobre suas atividades. Em outros casos, o que acontece dentro do grupo nunca deve ser mencionado fora dele, mesmo depois de todas as suas atividades serem concluídas há muito tempo. Em alguns casos, ninguém, exceto as participantes do grupo, devem saber que ele existe. Você e suas companheiras podem discutir e se preparar para ações sem revelar para gente de fora que vocês constituem um grupo de afinidade. Lembrem-se: é mais fácil passar de um protocolo de alta segurança para um de baixa do que vice-versa.

Tomem Decisões em Conjunto

Grupos de afinidade geralmente operam por meio de tomada de decisão por consenso: as decisões são tomadas coletivamente de acordo com as necessidades e desejos de cada indivíduo envolvido. O voto democrático, no qual a maioria consegue o que quer e a minoria precisa se calar, é uma aberração para os grupos de afinidade — pois se um grupo deve funcionar tranquilamente e permanecer unido sob estresse, todo indivíduo envolvido deve estar satisfeito. Antes de qualquer ação, os membros de um grupo devem estabelecer juntas quais são seus objetivos pessoais e coletivos, que riscos elas estão confortáveis em aceitar e quais são suas expectativas uma em relação a outra. Estes pontos definidos, elas podem formular um plano.

Como as situações de ação são sempre imprevisíveis e os planos raramente saem como previsto, pode ser uma ajuda empregar uma abordagem dupla na preparação. Por um lado, vocês podem fazer planos para diferentes cenários: Se A ocorrer, informaremos umas às outras por meio de X e mudaremos para o plano B; Se X meios de comunicação forem impossíveis, nós nos reuniremos novamente no local Z às Q horas. Por outro lado, vocês podem criar estruturas que serão úteis mesmo que o que aconteça seja diferente de qualquer um dos cenários que vocês imaginaram. Isso pode significar preparar recursos (como cartazes/bandeiras, suprimentos médicos ou equipamentos ofensivos), dividir papéis internos (por exemplo, reconhecimento, comunicações, médica, contato com a mídia), estabelecer sistemas de comunicação (como telefones descartáveis ou frases codificadas que possam ser gritadas para transmitir informações com segurança), preparar estratégias gerais (para manter umas das outras à vista em ambientes confusos, por exemplo), traçar rotas de fuga de emergência, ou preparar apoio legal no caso de alguém ser presa.

Depois de uma ação, um grupo de afinidade astuto se reunirá (se necessário, em um local seguro, sem celulares e outros equipamentos eletrônicos) para discutir o que deu certo, o que poderia ter sido melhor e o que vem a seguir.

É mais seguro agir em ambientes caóticos de protestos em um grupo de afinidade unido.

Tato e Táticas

Um grupo de afinidade responde somente a si mesmo — esse é um dos seus pontos fortes. Os grupos de afinidade não são necessariamente sobrecarregados pelo protocolo processual de outras organizações, pelas dificuldades de chegar a um acordo com estranhos ou pelas limitações de responder a um órgão que não esteja imediatamente envolvido na ação.

Ao mesmo tempo, assim como as membros de um grupo de afinidade buscam consenso umas com as outras, cada grupo de afinidade deve se empenhar por uma relação igualmente atenciosa com outros indivíduos e grupos — ou pelo menos para complementar as abordagens dos outros, mesmo que esses não reconheçam o valor dessa contribuição. Idealmente, a maioria das pessoas deveria ficar contente com a participação ou a intervenção do seu grupo de afinidade em uma situação, em vez de se ressentir ou temer vocês. Elas deveriam vir a reconhecer o valor do modelo de grupo de afinidade e, assim, empregá-lo por si mesmas, depois de vê-lo sendo bem-sucedido e se beneficiando desse sucesso.

Organizem-se com Outros Grupos de Afinidade

Um grupo de afinidade pode trabalhar em conjunto com outros grupos de afinidade no que às vezes é chamado de agrupamento ou coordenação. A formação de agrupamentos permite que um número maior de indivíduos aja com as mesmas vantagens que um único grupo de afinidade possui. Se houver necessidade de rapidez ou segurança, os representantes de cada grupo poderão se reunir com antecedência, em vez da totalidade de todos os grupos; se a coordenação é essencial, os grupos ou representantes podem organizar métodos de comunicação durante o calor da ação. Ao longo de anos de colaboração juntos, diferentes grupos de afinidade podem vir a se conhecer tão bem quanto conhecem a si mesmos, tornando-se assim mais confortáveis e capazes juntos.

Quando várias coordenações de grupos de afinidade precisam coordenar ações especialmente massivas — antes de uma grande manifestação, por exemplo — eles podem realizar um conselho no qual diferentes agrupamentos e grupos de afinidades podem informar uns aos outros (até onde isso for inteligente) sobre suas intenções. Os conselhos raramente produzem unanimidade perfeita, mas podem informar as participantes dos vários desejos e perspectivas que estão em jogo. A independência e a espontaneidade que a descentralização proporciona costumam ser nossas maiores vantagens no combate contra um adversário mais bem equipado.

Assumindo Compromisso

Para que grupos de afinidade e estruturas maiores baseadas em consenso e cooperação funcionem, é essencial que todos os envolvidos possam confiar uns nos outros para assumir compromissos. Quando um plano é acordado, cada indivíduo em um grupo e cada grupo em uma coordenação deve escolher um ou mais aspectos cruciais da preparação e execução do plano e oferecer-se para realizá-los. Se comprometer com o fornecimento de um recurso ou a conclusão de um projeto significa garantir que ele será realizado de alguma forma, não importa o que aconteça. Se você está operando um canal de apoio jurídico para o seu grupo durante uma manifestação, você deve isso a todos do grupo, mesmo se você ficar doente; se o seu grupo prometer fornecer as faixas para uma ação, verifique se elas estão prontas, mesmo que isso signifique ficar acordado a noite toda na véspera porque o restante do seu grupo de afinidade não pôde aparecer. Com o tempo, você aprenderá como lidar com as crises e com quem pode contar nelas, assim como os outros aprenderão quanto podem contar com você.

Partindo Para a Ação

Pare de pensar no que vai acontecer ou porque nada está acontecendo. Reúna-se com seus amigos e comece a decidir o que vai acontecer. Não passe a vida no papel de espectador passivo, esperando para ser informado sobre o que fazer. Adquira o hábito de discutir o que você quer que aconteça — e tornar essas ideias realidade.

Sem uma estrutura que incentive as ideias a fluir para a ação, sem camaradas com os quais se possa debater e atravessar as barreiras e criar impulso, é provável que você fique paralisada, desconectada de grande parte do seu próprio potencial; com eles, o seu potencial pode ser multiplicado por dez ou cem mil. “Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas pensantes e comprometidas possa mudar o mundo”, Margaret Mead escreveu: “é a única coisa que já existiu”. Ela estava se referindo, quer ela soubesse ou não, a grupos de afinidade. Se cada indivíduo em cada ação contra o Estado e status quo participasse como parte de um grupo de afinidade dedicado, a revolução seria realizada em poucos anos.

Um grupo de afinidade pode ser um grupo de costura ou um coletivo de manutenção de bicicletas; poderia se reunir com o propósito de fornecer uma refeição em uma ocupação ou forçar uma corporação multinacional a sair do mercado por meio de um programa de sabotagem cuidadosamente orquestrado. Grupos de afinidade plantaram e defenderam hortas comunitárias, construíram e ocuparam e incendiaram prédios, organizaram programas de creches nos bairros e greves selvagens; grupos de afinidade individuais iniciam rotineiramente revoluções nas artes visuais e na música popular. Sua banda favorita era um grupo de afinidade. Um grupo de afinidade inventou o avião. Um outro grupo de afinidade mantém o site e faz a publicação onde você está lendo esse texto.

Que cinco pessoas se encontrem determinadas para o a ação e não para a agonia da sobrevivência — a partir desse momento, termina o desespero e começa a tática.


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Leituras Adicionais

Manual para contribuir com o abastecimento popular de Floripa – SC

Alguns coletivos em Florianópolis estão se organizando em uma ampla Campanha de Luta por Vida Digna (nível nacional), contra uma vida custosa, violenta e contra o horror da pandemia. Criamos este manual para apontar ações de solidariedade que você pode fazer de forma organizada e articulada com outros indivíduos, organizações e coletivos.

Sabe de alguma grupo ou pessoa que já está fazendo ações como essas e que poderia fazer parte dessa articulação? Manda isso aqui pra ela! Tem interesse em contribuir? Entenda como lendo o manual nas fotos e entrando em contato com a gente por aqui: vidadignafloripa@riseup.net

As 3 frentes de ação são: arrecadação, preparo de refeições, distribuição. São ações de caráter emergencial, também são um convite para tentarmos frear a desigualdade que o capitalismo insiste em criar. Estamos na luta para fazer chegar a TODES esse direito fundamental e inalienável para a manutenção da vida: o alimento!

Nossa força move o mundo, lutamos por vida digna!

O manual completo você pode baixar aqui.

Ou visualizar no site Repórter Popular, onde também estamos publicando outras ações da Campanha por Vida Digna.

Manual de Desinfecção Comunitária – Orientações Básicas para Sanitização nos Territórios e Proteção à Vida nas Periferias

Equipe de Desinfecção Comunitária do Comitê de Solidariedade Popular

A Equipe de Desinfecção Comunitária é uma das iniciativas do Comitê de Solidariedade Popular – Covid-19 – Feira de Santana para a proteção da vida de nosso povo nas periferias, levando ações de sanitização para nossos territórios, espaços comunitários e locais de trabalho. Esse Manual de Desinfecção Comunitária com orientações básicas para sanitização nos territórios e proteção à vida nas periferias é voltado para as organizações comunitárias e territoriais autônomas, da maioria negra e das mulheres do povo, organizações de trabalhadores/as e de juventude, e principalmente, para os comitês de solidariedade popular e brigadas de apoio mútuo que se formaram para ajudar nosso povo diante da crise sanitária e social e das políticas genocidas de governos e capitalistas.

O trabalho de sanitização e desinfecção comunitária é parte de uma série de serviços comunitários oferecidos pelo Comitê de Solidariedade Popular através das ações solidárias e parte do programa popular e revolucionário em construção, que relaciona a assistência ao povo pobre e trabalhador e as lutas combativas por direitos e em defesa da vida, que sintetizamos na palavra de ordem ‘Só o Povo Salva o Povo!’, com os processos de auto-organização popular e mobilização de base vinculados a um projeto anticapitalista de emancipação humana, ruptura revolucionária e construção do poder do povo. Questões que começamos a desenvolver no nosso primeiro comunicado “Defenestrar Bolsonaro, criar uma Alternativa Revolucionária de Poder do Povo” (Março, 2020) como um esboço de uma projeto popular-revolucionário e no “Programa pela Vida”, como um programa mínimo e conjunto de propostas locais e medidas sanitárias e sociais necessárias para evitar milhares de mortes em Feira de Santana (Abril, 2020).

Partindo da lógica de servir ao povo de todo coração, a ação de sanitização precisa seguir normas básicas de segurança para evitar intoxicações ou irritações, tanto para quem aplica os materiais de desinfecção quanto para quem frequenta o ambiente sanitizado, assim como, normas técnicas na utilização correta dos produtos saneantes e proporções exatas para garantir sua eficácia na desinfecção. É uma atividade relativamente simples, mas que exige atenção e cuidados, com uma equipe que pode ser composta por três a cinco militantes com uma preparação técnica básica sobre os equipamentos e materiais, sendo dois ou três responsáveis pela sanitização e uma ou duas pessoas responsáveis pela logística e apoio da equipe.

É preciso trabalhar com todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários e aplicar a sanitização com os materiais sanitários devidos para cada ambiente. A formação das equipes de desinfecção pode ser feita a partir de parcerias com organizações populares e financiadas a partir de cotizações e apoio de sindicatos e entidades, ou através de campanhas solidárias e seleções de entidades de direitos humanos, para cobrir os custos com materiais e logística. O serviço de sanitização também pode ser oferecido na forma de cooperativa de trabalho e prestadora de serviços particular, seguindo as regras sanitárias e legais para gerar renda para os militantes e organizações envolvidos nesse trabalho.

Aqui explicamos de forma resumida o processo para a formação de uma equipe comunitária de desinfecção, seu funcionamento e dinâmica comunitária, os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários, os materiais sanitários que podem ser usados em cada ambiente e as questões gerais que envolvem esse tipo de iniciativa comunitária.

EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E SANITIZAÇÃO

Os EPIS necessários para a ação que indicamos são:

  1. Respirador semi-facial reutilizável com cartuchos químicos para vapores orgânicos e gases ácidos;
  2. Macacão de segurança para proteção química com capuz;
  3. Óculos de proteção incolor;
  4. Luvas de proteção em látex descartáveis;
  5. Botas de PVC;
  6. Protetor facial em acrílico, que é opcional.

As bombas pulverizadoras podem variar para cada objetivo e ambiente de sanitização, indicamos usar pulverizadores costais de 20L que podem ser manuais ou elétricos para ambientes externos como ruas, praças, feiras, portões, etc., sendo uma bomba usada para cada tipo de material. Bombas pulverizadoras menores manuais de 5L servem para ambientes internos, e bombas de 2L, por exemplo, são necessárias para desinfetar todos os EPIs com Álcool 70% ao fim de cada ação de desinfecção, antes de retirar o macacão e demais equipamentos de proteção com segurança.

Os custos para garantir dois equipamentos completos e os materiais necessários envolvem em média um custo de R$ 1.200,00, podendo variar principalmente pela opção do respirador ou máscara de proteção escolhida e das bombas pulverizadoras.

Produtos e orientações para desinfecção

As bombas de pulverização podem ser manuais, que tem um valor mais baixo, ou automáticas, que custam normalmente mais que o dobro das manuais. Optamos por bombas manuais, mas para grandes trabalhos de desinfecção como em todo um bairro, um pulverizador elétrico é mais indicado. Cada bomba deve ser usada para um produto de desinfecção. É fundamental utilizar produtos saneantes regularizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para garantir sua eficiência e evitar riscos à saúde. O Hipoclorito de sódio é o material mais barato e pode ser usado para sanitizar ruas, calçadas, paredes, praças, etc. sendo feito a partir da diluição de água sanitária com concentração de princípio de cloro ativo entre 2% e 2,5% em água potável para gerar o ácido hipocloroso (HClO) com concentração de 0,5% de cloro ativo (podendo variar até no máximo 1,0%), que é capaz de matar o Sars-CoV-2.

É preciso atenção e cuidado ao lidar com os saneantes, assim como seguir todas as normas técnicas de utilização e diluição dos produtos. Além do Hipoclorito de sódio a 0.5%, diversos outros saneantes podem ser utilizados para eliminação de vírus como Alvejantes contendo hipoclorito (de sódio, de cálcio) a 2,0-3.9%, Iodopovidona a 1%, Peróxido de hidrogênio a 0.5%, Ácido peracético a 0,5%, Quaternários de amônio, por exemplo, o Cloreto de Benzalcônio 0.05%, Compostos fenólicos e Desinfetantes de uso geral com ação viricida. Além da proporção correta, cada saneante deve ser usado em determinadas superfícies, com a maioria não sendo indicados para contatos com a pele humana, animais e plantas. Ao fim deste manual indicamos sites com referências técnicas confiáveis e/ou oficiais, e sugerimos que as equipes de desinfecção destaquem sempre uma ou duas pessoas para se aprofundar nos estudos técnicos e químicos sobre os produtos e suas aplicações, assim como, procurar a assistência de profissionais da área para as orientações devidas.

É importante pontuar aqui e deixar claro também para a população nas ações de desinfecção que a sanitização não substitui a necessidade de proteção contra o Coronavírus, para evitar uma falsa sensação de segurança, devendo-se sempre frisar a importância da utilização correta das máscaras de proteção, da higienização frequente das mãos e de todos os produtos e objetos que entrem em casa e a própria higienização do interior das casas, das roupas, sapatos, sandálias, bolsas, etc.

Não existem comprovações científicas específicas sobre a ação biocida dos saneantes contra o Sars-CoV-2, que é um Coronavírus encapsulado, composto por uma única cadeia de RNA e com capacidade de persistir em diferentes tipos de superfícies. Por conta da sua aparição recente, existe apenas uma comprovação científica genérica sobre a eficácia viricida dos produtos saneantes usados corretamente contra vírus encapsulados como outros coronavírus comparáveis, e também contra o Adenovírus, Influenza H1N1, Influenza H5N2, Poliovírus e Vaccinia. Existe, ainda assim, um consenso em relação à importância da desinfecção de superfícies feita de forma correta para enfrentar a contaminação da Covid-19. Apenas o Álcool 70% regularizado em gel ou líquido é indicado para a utilização e contato com a pele, as alternativas (como a diluição do Hipoclorito de sódio a 0.5%, para uma concentração bem mais baixa de 0,05%) devem ser usadas apenas em casos de necessidade.

Em nossa experiência de desinfecção optamos por usar junto ao ácido hipocloroso (HClO), o Quaternário de Amônio de 5ª Geração, que é um composto químico recomendado pela Anvisa, utilizado internacionalmente, possuindo baixa toxicidade e não é corrosivo, podendo ser usado em superfícies metálicas, diferente do Hipoclorito de sódio que não deve ser usado em estruturas metálicas. É um desinfetante de nível intermediário cuja ação biocida pode deixar o ambiente desinfetado por dias ou até meses, sendo bem específico para organismos-alvo, afetando apenas vírus, bactérias e fungos, e amplamente utilizado para higienização e desinfecção de ambientes e superfícies. Além disso, apresenta uma excelente relação custo-benefício, devido à alta diluição do produto original. O Quaternário de Amônio de 5ª Geração que será utilizado nas ações deve seguir à risca as indicações de proporção indicadas na embalagem ou bula, existem diversas marcas e variações. Outros materiais à base da Amônia quaternária que são específicos para ambientes com animais também podem ser usados, assim como os produtos à base de PAA (Ácido peracético), Peróxido de hidrogeno ou os Compostos fenólicos.

Questões gerais

É importante observar que a aparição do Sars-CoV-2 é nova, por isso, a todo o momento novas pesquisas e informações são lançadas, algumas às vezes desmentindo outras. Por trás das questões que envolvem a pandemia existem também os interesses de grandes empresas farmacêuticas, de grandes laboratórios, dos capitalistas e dos governos. É importante o estudo técnico para evitar as informações erradas ou mesmo a reprodução das famosas “teorias da conspiração”, mas é necessário ter claramente a visão de que estamos diante de uma guerra biológica contra os povos do mundo, e que governos e capitalistas não colocam e não colocarão as vidas das pessoas comuns e dos condenados da terra acima do que chamam de interesses econômicos, ou seja, a manutenção das taxas de lucros dos capitalistas e os interesses do mercado financeiro.

Agora, passado o primeiro semestre do início da pandemia, ficou ainda mais provado que governos neoliberais ou controlados por genocidas de extrema-direita são incapazes de promover políticas para enfrentar a contaminação e que estão utilizando abertamente a Covid-19 como uma arma biológica de destruição em massa contra os povos, como é o caso dos centros atuais da pandemia, Estados Unidos e Brasil, governados respectivamente pelos neonazistas Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Sambemos que estamos por nossa própria conta e que os gestores da direita e da falsa esquerda que governam nosso país, estados e cidades estão comprometidos com a agenda genocida do capital. A política abertamente criminosa contra o povo adotada pelo governo do miliciano Jair Bolsonaro e todo o seu governo neofascista não podem ser vencidos com acordos de cúpulas entre os partidos da ordem que sustentam essa falsa democracia, filha da escravidão e da ditadura, e apenas com a organização de base, a unidade popular, a ação direta e as lutas combativas radicalizadas nas ruas podemos abrir caminho para a vitória do povo sobre o Estado, o capital, a supremacia branca e o fascismo. Por isso, é necessário partir de uma política consequente e programática de proteção à vida de nosso povo, afirmando de forma intransigente nossa autonomia como organizações do povo e nossa independência de classe, defendendo que apenas um processo de ruptura revolucionária pode pôr fim às nossas desgraças coletivas e a esse sistema de exploração e opressão.

O trabalho de desinfecção comunitária é parte desse esforço de servir ao povo, para nos mantermos vivos e poder enfrentar as bestas que estão no poder, e que no caso do nosso Comitê de Solidariedade Popular se soma as outras iniciativas de apoio mútuo como a produção cooperativa de máscaras de proteção, a entrega dos kits de higiene e limpeza, os almoços coletivos, as rodas de conversa sobre saúde e organização popular e a doação de cestas básicas para setores vulneráveis do nosso povo nas periferias e favelas de Feira de Santana. A ação comunitária permanente, possibilitada pela coragem e abnegação de centenas de lutadores e lutadoras do povo em todo o país tem salvado muitas vidas, controlando a contaminação por Covid-19 em diversas comunidades do Brasil, assim como, a entrega e dedicação de grande parte dos profissionais de saúde, que enfrentam condições precárias de trabalho e colocam em risco cotidianamente suas vidas para salvar outras.

Uma política de solidariedade e arrecadação é necessária para montar as equipes de desinfecção diante das dificuldades que enfrentamos como organizações comunitárias e autônomas que se autofinanciam. É fundamental também preparar militantes tecnicamente e buscar apoio e parceiras com entidades, ter uma assessoria para elaboração e aprovação de projetos, fazer a comunicação social e a gestão financeira. É necessário utilizar todos os meios possíveis para conseguir recursos, mantendo sempre nossa autonomia política e rejeitando a tutela de partidos, empresas e outras instituições, assim como, o oportunismo eleitoral aflorado ainda mais em ano de eleições burguesas. Fazer o que os governos não fazem e tornar cada vez mais real nossa consígnia ‘Só o Povo Salva o Povo!’, ocupar o lugar vazio deixado pelo Estado na assistência social, mostrando na prática nossa capacidade enquanto povo organizado de construir uma nova sociedade, convencendo pelo discurso e arrastando pelo exemplo a maioria do nosso povo para o projeto popular e revolucionário, apresentando como horizonte uma ruptura anticapitalista que possa repartir o trabalho, a riqueza e o poder, organizando os serviços públicos e a produção através da autogestão.

Quanto as questões jurídicas e legais que envolvem a sanitização é importante conhecer todas as normas da Anvisa e seguir as recomendações dos órgãos de vigilância sanitária e epidemiológica do município, evitando qualquer tipo de criminalização ou descrédito do serviço comunitário, que deve ser tratado da forma mais profissional possível. Essas observações jurídicas e institucionais devem ser seguidas à risca caso a ação comunitária das equipes de desinfecção seja associada de forma paralela a uma prestadora de serviços particular de sanitização (como uma cooperativa de trabalho), forma pela qual as equipes podem conseguir recursos para remunerar militantes pelo trabalho e a ação comunitária pode ser autofinanciada.

Este Manual de Desinfecção Comunitária, com orientações básicas para sanitização nos territórios e proteção à vida nas periferias é uma contribuição do Comitê de Solidariedade Popular para as demais organizações populares e combativas, comitês de solidariedade e brigadas de apoio mútuo e que estará sempre em processo de revisão, atualização e aberta à sugestões.

Resistência é Vida! Venceremos!

Referências:

Apoie o comitê de solidariedade popular:

Apoie a nossa Equipe de Desinfecção Comunitária e demais iniciativas do Comitê de Solidariedade Popular – Covid-19 – Feira de Santana através da nossa Campanha Favela Viva doando qualquer valor em Banco do Brasil – Agência 4481-4 – Conta Corrente 8068-3. Contatos conosco podem ser feitos pelo whatsapp ou telegram em 75.98107-5552 ou por mensagem no facebook e instagram em @casadaresistencia.

[Passo a Passo] Para onde ir agora?

A crise sanitária do covid19 mudou tudo, sim. Mesmo onde possa parecer que não. Cada pessoa tem experimentado de muitos jeitos e sentidos as experiências deste outro fim de mundo e algumas podem estar se perguntando como mudar de onde estou? Mudar no sentido geográfico, territorial, de sítio, de lugar, de espaço, de cartografia, cair fora, ir daqui para outro lugar.

O que você pode se perguntar para escolher ou mudar ou ocupar um lugar?

Resolvi colaborar como posso neste momento que é trazendo um resumo de um já conhecido vídeo do permacultor Geoff Lawton onde ele orienta os critérios que você deve ter no olhar quando estiver pensando em seu novo território.

Muito podemos discutir sobre a permacultura e dos incômodos e limitações que a metodologia e suas extensões podem trazer, e me parece fundamental que façamos este debate, no mínimo porquê sinto que isto deva envolver recortes políticos, transpasses ontológicos, filosofias da impermanência, etc.. Afinal, por em prática o corpo terá como consequência uma certa (re)organização da subjetividade.

Mas, por agora, vamos ao que você precisa para dar o passo.

Primeiro, esqueça o que é permacultura. Isto não interessa agora.

Depois, acredite, você não precisa (no sentido de requisito) fazer um super curso de uma super pessoa para colocar em práticas muitas destas coisas.

Isto não exclui, por claro, que estar em relação com pessoas que tem experiência sempre ajuda; o que quero deixar é que você não precisa permitir que isto se transforme em um castelo onde você ficará esperando abrirem a porta para a audiência com o rei. Você e ninguém precisa deste rei. Abra as portas.

E antes de entrar mesmo nos critérios materiais que você vai usar pra valer, recomendo que duvide de quem tira terra da unha com um pé de cabra. Falar é bom, mas fazer é melhor, mas fazer de modo que recrie opressão e preconceito em qualquer nível tampouco deve ser levado em sério.

O que aqui a seguir vou listar pode ser aplicada para qualquer lugar: um apartamento, uma casa, um quintal, uma varanda, um sítio, uma fazenda, uma ocupação, uma praça, etc.. Com o tempo e com a prática vai sentindo que dá para muitos tipos e de muitas naturezas de territórios.

Enfim, a proposta é provocar perguntas e direções. Então se você achar que algum ponto não serve, pula e vai em frente.

Vamos então.

1 – Acesso

  • Por onde caminha, por onde passa;
  • Mas acessos também servem para muitas coisas: passar, deslocar, cortar-fogo, armazenar, plantar, captar água e cortar vento, por exemplo;
  • Verifique os acessos que já existem;
  • Verifique se você precisará implantar acessos;
  • Veja se é ou será difícil fazer a manutenção destes acessos;
  • Verifique o quão fácil ou difícil serão os acessos (a pé, de carro, etc.);
  • Veja se estes acessos são estáveis, se eles tendem a permanecer como estão/estarão;
  • Verifique os pontos de entrada e de saída (existentes e de possível implantação);
  • Verifique os tipos destes acessos (corredor de um apartamento ou uma estrada de terra, p.e.) (terra, concreto, asfalto, p.e.) (centrais ou de contorno, p.e.);
  • Quais as extensões destes acessos também deve ser verificado (você não precisa de um topógrafo, pode começar com o bom e útil “curto ou cumprido” e depois detalhe); e
  • Tente perceber e verificar como estes acessos se relacionam com o entorno (muros, casas, estradas, prédios, etc.).

2  – Água

  • Que tipo de acesso à água você vai ter? (rede pública, poço, rio, não terá, “empréstimo” da rede pública, são exemplos);
  • Quantos acessos você vai ter?
  • Quais as posições destes acessos: onde eles estão?
  • Existe a possibilidade de armazenar água? Tem espaço? Vai ter criar este espaço?
  • Como pode ser possível armazenar água neste lugar? (chuva, sereno, geada, poço, etc.);
  • Como pode proteger esta água armazenada? (isto significa quanto tempo consegue guardar); e
  • A água que não conseguir guardar (por exemplo da chuva) como irá caminhar pelo teu lugar? Por onde ela irá passar? É difícil dar manutenção aos caminhos desta água? Precisa implantar caminhos para esta água? Pode ter enxurradas neste lugar? em que pontos esta enxurrada? Pode ser grande esta enxurrada? Precisa se proteger dela? Como?

3 – Posições Estruturais

  • Em um espaço (terreno, quintal, acostamento, etc.): onde irá colocar a casa ou a barraca dentro dele?
  • Que estruturas vai precisar? (cozinha comunitária, casa de ferramentas, oficinas, dispensas, canil, armazém, biblioteca, etc.);
  • Tem ligação com a rede de fornecimento de energia elétrica estatal? Onde ela está? De que tipo é? Existem outras possibilidades de geração de energia possíveis (quais)?
  • Precisará criar animais? Que tipo de animais? Onde?
  • Onde vai plantar? Como? É possível plantar?

4 – Sol

  • Como nasce o sol neste lugar? Onde? Como morre o sol neste lugar?
  • Verifique o caminho que o sol percorre neste lugar, por onde ele passa ao longo do dia;
  • Lembre-se que este caminho muda ao longo do ano (ele passa de um jeito no inverno e outro no verão);
  • Um lugar, casa, terreno de “face norte” é o ideal para poder desenvolver as atividades vitais;
  • Face norte significa que “a frente” do seu lugar está na direção norte;
  • Qualquer bússola de celular hoje em dia pode te mostrar isto. Fique “de frente” e veja para onde ela aponta o norte; e
  • Isto não significa que outras posições sejam “ruins”, apenas indicara o caminho do sol neste seu lugar e na prática te ajudará a definir onde colocar a casa/barraca, onde plantar ou o que plantar, onde colocar janelas ou dormir, onde colocar tanque de água ou onde vai armazenar seus livros, por exemplo.

5 – Sombra

  • Verifique também as quantidades e os caminhos das sobras do lugar. Não é legal dormir, por exemplo, onde ficou sombra o dia inteiro; e
  • Sombras são úteis também, em dias quentes para te abrigar ou trabalhar ou fazer banheiros, talvez sirvam melhor.

6 – Bioma

  • Qual é o bioma em que está metido seu lugar? Descubra e entenda este bioma. Que tipo de solo tem o lugar? Não adiantar querer plantar maçãs e mudar-se para uma região árida. Conhecer o bioma te fará economizar energia e recursos, além de facilitar as escolhas das estruturas, das águas, dos acessos, etc.. Adeque-se ao Bioma.

7 – Clima

  • Qual o regime climático do seu lugar? quanto chove por ano? Em que meses e quanto chove por mês? Quais são as umidades médias? As temperaturas e amplitudes térmicas ao longo dos dias?
  • Qual a latitude?
  • Qual a altitude?
  • Quanto e como venta neste lugar? de onde vem o vento na maior parte do tempo? Vento é recurso ou restrição ou ambos para este lugar?

8 – Corpos d´água

  • Qual a distância do oceano?
  • Qual a distância de grandes corpos d´água (rios, lagos, lagoas, represas, etc.)?
  • Quais são estes corpos d´água?

9 – Fogo

  • Qual o potencial de pegar fogo este lugar? onde? Como? E como é possível se proteger deste fogo?

10 – Cobertura vegetal

  • Qual o tipo de vegetação? Qual a proporção da vegetação em relação ao lugar? qual o tamanho das áreas sem vegetação? Qual a posição da vegetação (ou da falta dela?)?

11- Topografia

  • É muito íngreme? Pouco íngreme? Onde é ou não é íngreme? Pense inicialmente na inclinação majoritária do lugar (montanhoso, plano, etc.) (se for um apartamento é totalmente plano, p.e.).

12 – Relacionais ao entorno

  • Qual a distância do centro urbano mais próximo?
  • Qual a distância de megacentro urbano mais próximo?
  • Quais as características do centro urbano mais próximo?
  • Qual a história desse lugar e do entorno?
  • Quais são e quais as distâncias de equipamentos públicos? (hospitais, aeroportos, hidro-elétricas, presídios, parques, escolas, rodovias, creches, mercados, etc.);
  • Verifique aspectos legais relacionados ao lugar, legislações relacionadas;
  • É vizinho de parques estatais? Regiões de segurança “nacional”?
  • Propriedade é um roubo, pressupomos, mas lembre-se que mesmo em regimes “liberais” as propriedades podem ser suprimidas se assim definir o Estado.
  • Tem vizinhas? O que fazem? Converse com elas. Elas podem te contar coisas surpreendentes e relevantes.

13 – Gerais

  • Tem acesso a internet? Vai precisar de internet ou outros meios de comunicação? Quais? Verifique como ter e manter se for o caso;
  • Quanto mais mato melhor;
  • E de modo amplo: quanto menos “benfeitoria” (casa, curral, poço, etc.) melhor, digo de modo amplo, pois tudo depende do suas estratégias, táticas e objetivos (saiba a diferença entre elas antes se for possível);
  • Verifique a existência de linhas de alta tensão e antes de celular ou coisas do gênero. Isto pode ser um problema. Se sim onde estão e as distâncias delas para seu lugar;

Por fim, preocupe-se com sua autosegurança, você precisa antes de tudo ficar bem e vivo. Não se precipite colocando sua vida e a de outros em risco. Nem no início e nem durante sua nova vida. A proposta é mudar de lugar para uma vida melhor. Pense nisso antes, você e as pessoas ao seu redor não precisam sofrer. Amplie as conversas com seu grupo de afinidade, aprofunde, e descubra que existem muitas possibilidades para esta mudança. Pode ser um sítio, mas pode ser também em uma rua com seu grupo. Você não será livre enquanto não formos todos livres. Autonomia se semeia.

E se puder ajudar mais em relação a estas conversas estou à disposição e ficarei feliz em fazer isto. Pode entrar em contato email paraondeiragora@protonmail.com e twitter @paraondeiragora

Se cortar a gente brota. Luz, Força e Liberdade para todos!

Como Reproduzir Ações Solidárias na sua Quebrada – E cozinhar para 55 pessoas!

DICAS PARA REPRODUZIR AÇÕES SOLIDÁRIAS NA SUA QUEBRADApor Coletivo Kasa Invisível

O apoio mútuo é fundamental para a organização popular em tempo crises, como a pandemia de COVID-19, mas também para a transformação social. Reunimos algumas dicas para quem pretende reproduzir ações solidárias para distribuir alimentos e itens de higiene para pessoas em maior vulnerabilidade. Descentralize, difunda e mobilize outras pessoas e grupos. Solidariedade não é caridade, é ação direta e apoio mútuo!

➯ Reúna pessoas (de 3 a 6) que se solidarizam com a proposta e assumam o compromisso;

➯ Defina como será a atuação e o que podem oferecer (rango, cestas básicas, roupas, cobertores, etc.);

➯ Crie/acione sua rede de apoio, coletivos, ONGS’s, pastorais, movimentos, sindicatos e pessoas que podem apoiar mesmo que diretamente nas ações, podendo ajudar com grana ou doações de materiais;

➯ Escolha um ponto de encontro, um local para receber e processar as doações, preparar o rango e um número máximo de pessoas para estar no ambiente de forma segura, com máscaras e sem causar aglomeração, respeitando uma distância de alguns metros;

➯ Pense no alcance possível para a ação e nas questões logísticas, dia, hora, quem faz o quê, periodicidade;

Na Kasa Invisível, temos feito kits de higiene com doações de máscaras, água, sabão, escova e pasta de dente, absorventes e panfletos informativos sobre cuidados na pandemia, as medidas de higiene básicas e sobre o auxílio emergencial. Junto desse kit, entregamos também uma marmita. Abaixo, uma receita de feijoada vegetariana e de como montar uma ação de distribuição.

COMO COZINHAR PARA 55 PESSOAS – 50 marmitas + 5 amigues preparando

Utensílios necessários:

☼ 1 tábua, 1 faca, 3 colheres grandes, 1 concha.3 bacias grandes.2 panelas grandes e 1 caldeirão.3 panelas de pressão 4,5L
Receita e preparo:
(arroz, farofa de legumes e feijoada veg)

☼ 5kg de arroz.2kg de farinha de mandioca.3kg de feijão.tempero pronto (alho&sal).3 abobrinhas médias.3 berinjelas médias.12 batatas médias.3 beterrabas médias.2 cebolas grandes.8 cenouras médias

Farofa:

Numa das panelas grandes: óleo, meia cebola até dourar, tempero pronto, adicione a metade das cenouras e das beterrabas raladas, frite um pouco, adicione 1kg de farinha de mandioca e mexa até ficar uniforme. Repita o processo com o outro 1kg de farinha e cebola e legumes ralados. Armazene na bacia grande até a montagem das marmitas.

Feijoada Vegetariana:

Deixe de molho o feijão 10 a 12h antes. Troque a água e cozinhe 1kg em
cada panela de pressão.No caldeirão: óleo, uma cebola picada até dourar, tempero pronto, adicione as berinjelas, abobrinhas e as batatas em cubos, refogue até que cozinhe um pouco, adicione o feijão cozido e água até cobrir e ferva até terminar de cozinhar os legumes. Pode ser adicionado aroma de fumaça, louro e outros temperos.

Arroz:

Numa das panelas grandes: óleo, tempero pronto até dourar. Adicione arroz até 1/3 da panela, água até 3/4 da panela, aguarde secar, adicione mais água se necessário. Repita o processo até terminar os 5kg de arroz. Armazene nas bacias grandes até a montagem das marmitas.

Embalagens:

✰ 50 marmitex de aprox. 700g-50 colheres-50 sacos de chup-chup
✰ Embale as colheres individualmente com os saquinhos de chup-chup.

Montagem marmitex:

♥ 2 e 1/2 colheres grandes de arroz.2 conchas de feijoada.2 colheres de farofa de legumes*sugerimos a farofa sobre o feijão para absorver um pouco do liquido e não vazar na distribuição.

Boa sorte! Compartilhe sue experiência e estimule outras pessoas a partirem também para a ação.

Nos vemos nas ruas e em segurança.
Isolamento não é inação!

Resistência é atividade essencial!

[Passo a passo] Não seja babaca no supermercado

Escrevemos este pequeno manual passo a passo para manter a arrogância longe do supermercado, pois muitas pessoas precisam fazer compras e manter o mínimo de convivencialidade nesse espaço que é absolutamente necessário para todas nós.

Você não é dono do mundo.
Por sinal, o mundo acabou, fera.
De um jeito ou de outro ele acabou.

Então não vá deixar solto o babaca que existe dentro de você. Só um babaca acha que pode sair por aí fazendo o que bem entende. Claro que não! Então, quando for possível, vamos tentar usar o cérebro.

Planeje suas compras, faça uma lista dos itens que você e as pessoas que dividem a moradia precisam, pergunte a cada uma delas sobre as necessidades básicas e verifiquem juntos quais são os produtos necessários para o intervalo das compras.

Estamos em meio a uma emergência global, não é o momento de manter o mesmo estilo de vida e preferências por marcas e o supermercado mais perto da sua moradia é a opção mais adequada do que ir naquele que se parece com um shopping.

Antes de sair da moradia

  • Não leve crianças ao supermercado, muito menos durante uma pandemia;
  • Não faça estoques! Não vai adiantar, amiguinho. O mundo acabou, lembra?
  • Compre somente o que é realmente necessário;
  • Verifique se está tudo certo com o seu cartão, qual o saldo disponível, isto diminui o tempo de contato, além de ser muito chato chegar no caixa e ter uma pessoa na sua frente que não sabe sequer onde está o cartão;
  • Não tossir ou espirrar nas pessoas sempre foi algo bacana, se estiver com sintomas de COVID-19, procure uma unidade de saúde, não um supermercado;

Ao chegar no supermercado

  • Aglomerou? Volte outra hora;
  • Lembre-se de usar máscaras e higienizar as mãos com álcool gel;
  • Permaneça o menor tempo possível dentro do mercado;
  • A empresa não fornece EPI’s aos trabalhadores e trabalhadoras? Procure outro supermercado que se preocupe com as pessoas;
  • As pessoas estão expondo suas vidas para manter o funcionamento do mercado. Lembre-se sempre disto, seja gentil com quem está trabalhando para você ficar em casa;
  • Lembre-se também que as pessoas que estão ali trabalhando tem família e precisam manter o emprego (o medo delas é tão grande quando o seu, mas a possibilidade de isolamento não);

Durante as compras

  • Converse o mínimo necessário;
  • Compre somente aquilo que você conseguirá carregar;
  • Não ter nada para fazer ou estar entediado não é motivo para ir ao supermercado. Leia rótulos de shampoo no banheiro de sua casa (ou um livro pode ser uma boa pedida);
  • Se você precisa de informação, certifique-se de pedir auxílio para alguém que trabalha no supermercado, não para a pessoa mais próxima;
  • Não fique tocando em tudo o que topar pela frente, isto reduz tua permanência, e portanto, os riscos. Tenha certeza de que é necessário tocar para escolher.
  • Talvez um produto em promoção pela metade do preço não seja necessário na sua casa;
  • Reflita se energético ou cerveja artesanal devem mesmo estar no seu carrinho (com a grana dessas bobagens rendem duas quentinhas para quem precisa);

Na hora de pagar

  • Se você nunca usou um self-checkout, não utilize durante a pandemia;
  • Na fila, respeite as recomendações de segurança (distância de 2m);
  • Respeite a placa de acrílico que existe entre você e quem está trabalhando;
  • Use o troco solidário, não vá ficar contando moedinhas;

Retornando à moradia

  • Tire os calçados;
  • Coloque as compras em uma área de transferência (alguns itens podem ficar ali por 12 ou 24 horas numa boa);
  • Lavar as embalagens ou passar um pano com solução alcoólica (álcool 70 líquido ou gel);
  • Antes de higienizar frutas, legumes e verduras, lave bem as mãos;

Extras

  • Busque informações sobre as condições de trabalho, suporte às necessidades básicas e apoio psicológico do supermercado que você frequenta;
  • Se tem dúvidas e precisa de uma lista de regras para a vida, recomendamos apenas uma: Não seja babaca.
  • Trabalhadoras e trabalhadores, façam greve!

[Passo a passo] Ajude a população em situação de rua a se proteger

Kits de higiene passo a passo

  1. Separe e limpe as garrafas plásticas;
  2. Fure as tampas;
  3. Encha em pares (só água + água e sabão, ou detergente);
  4. Identifique o conteúdo (Água / Sabão);
  5. Ligue as garrafas com um barbante;
  6. Entregue ou pendure em locais públicos visíveis.

Fonte: Movimento População de Rua – BAHIA

[Passo a passo] Enviar conteúdo para a rede Apoio Mútuo

Você pode enviar conteúdos sobre ações de enfrentamento às consequências da pandemia na sua região através de um simples formulário aqui no site www.apoiomutuo.com.br.

Neste momento, centenas de singularidades, grupos, coletivos e organizações libertárias estão atuando para fortalecer a autonomia das pessoas e estendendo os braços para somar em ações de apoio mútuo em favor de quem é atingido mais diretamente pela pandemia: a população negra, periférica e precarizada.

Apoio Mútuo é uma ferramenta para agregar iniciativas e informações sobre a pandemia, e também é uma rede para compartilhar tutoriais, guias e conhecimentos úteis para compas que estão em atividade ou buscam fortalecer quem está em movimento.

Através do formulário Enviar Conteúdo é possível enviar muitas coisas: dados de arrecadação de fundos (Vaquinhas) de comunidades e coletivos; tradução de conteúdos sobre o Covid-19 que possam ser adaptados para o contexto do Brasil; tutoriais para aplicativos de comunicação; dicas de cuidados com saúde, segurança digital, moradia, alimentação, mobilizações pela garantia de direitos e reivindicações comunitárias.

Este é um espaço aberto para monas, minas e manos que fazem o enfrentamento social e atuam na autodeterminação dos povos.


Antes de começar

Sua segurança e anonimato são importantes para a existência e continuidade de nossas atividades; por isso, considere fortemente utilizar um navegador comprometido com esses princípios. Recomendamos que você utilize o navegador Tor Browser ou esteja utilizando a proteção de algum serviço de rede privada como o Riseup VPN. Não leva muito tempo para baixar e são fáceis de instalar e usar.

Mas também sabemos que isso não é possível em todos os contextos.

Tor Browser, disponível em https://www.torproject.org/pt-BR/download/

Passo a passo: como enviar conteúdo

1 – Acessar o link
http://apoiomutuo.com.br/enviar-conteudo


2 – Observar os itens básicos:

  • Verificar se o conteúdo é verdadeiro;
  • Ter ao menos uma imagem para ilustrar o conteúdo;
  • Lembrar de proteger a identidade das pessoas se for utilizar uma foto;
  • O conteúdo não deve estar vinculado a marcas, governos, entidades religiosas ou partidos políticos, pois entendemos que estes já possuem espaços e orçamentos próprios para divulgar seus conteúdos.

3 – Preencher o formulário

  • Seu nome (não é obrigatório, pode inserir qualquer coisa ou deixar em branco; mas, se quiser, pode colocar seu apelido);
  • Seu e-mail (não é obrigatório);
  • Título da postagem (é um campo obrigatório no qual você vai escrever o que é mais importante, por exemplo: Apoie a vaquinha do movimento tal);
  • Preencha a resposta 1+1= (Essa é uma verificação antispam, precisamos evitar que robôs malignos sobrecarreguem nosso site);
  • No botão adicionar mídia, você pode inserir quantas fotos achar necessário;
  • Carregar uma imagem (inserir a imagem mais importante do seu conteúdo); para mais imagens, utilize o link “Adicione outra imagem”.

4 – Enviar

Após enviar sua mensagem, as pessoas que editam o Apoio Mutuo poderão verificar as informações, ajustar os formatos e publicar.

Todas as informações enviadas por vocês receberão nossos cuidados. Só pedimos um pouquinho de paciência porque este site é uma atividade voluntária de compas. Mas acredite, será feito o mais breve possível.


5 – Valeu!

Compartilhar conteúdo é apoiar e fortalecer a mensagem de autonomia e autodeterminação. É hora de somarmos em todas as formas de ação.

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén