Apoio Mútuo

Mudanças sérias precisam acontecer

Autor: Baderna James Page 1 of 3

Campanha de solidariedade Campo-Cidade: Por saúde, teto, terra e liberdade! (RECC/FOB-MS)

A atual crise do COVID-19 possui impacto de maneira geral na sociedade de classes brasileira. No entanto, a pandemia chega com intensidade diferente  em corpos, grupos sociais e regiões específicas, como corpos periféricos e indígenas. No que diz respeito a região da grande Dourados, marcada pelo espaço transcultural e conflitivo entre as aldeias e as cidades, entre centro e interior do estado e do país, a pandemia mostra um contexto de vulnerabilidade da região e dos povos. No Brasil, há aumento vertiginoso de casos do COVID-19 em Terras Indígenas, como consequência do extrativismo e da ação criminosa de ruralistas. Nas principais cidades do estado do Mato Grosso do Sul, pessoas ainda circulam em um fluxo intenso durante o dia, muito devido ao fato de grupos de comerciantes insistirem em continuar com os serviços, bem como outras categorias de empresários, que colocam muitas pessoas em perigo de contaminação e ameaça de desemprego. Nas últimas semanas, por exemplo, observamos a continuidade do trabalho indígena e não-indígena no corte de cana e nos frigoríficos, assim como a rescisão de 1400 contratos de professores municipais, forçando os/as trabalhadores/as a pagarem pela crise econômica e pela crise do coronavírus.

Para os povos periféricos e indígenas esse perigo é ainda maior, seja pelas históricas desigualdades sociais que os afligem como consequência da expulsão e exploração de seus territórios tradicionais por grandes empresários e latifundiários, seja pela negação do acesso destes à condições dignas de moradia, saúde, saneamento básico, alimentação. Somado a isso, o modo de vida comunitário dos povos se vulnerabiliza. Somente na Reserva Indígena de Dourados (RID), já existem muitos casos de dengue e tuberculose, principalmente entre os Guarani e Kaiowá, com pouco ou nenhum acesso ao sistema de saúde, resultado do sucateamento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI). Segundo indígenas que trabalham na SESAI, após muita luta conseguiram garantir uma pequena remessa de testes de COVID-19 para a RID, que vinha sendo negada pela prefeitura de Dourados. Por isso, não podemos dissociar o combate à pandemia da luta pela terra, e da luta contra o capitalismo e os grandes responsáveis pela situação em que nos encontramos.

Os impactos da pandemia seguem aumentando e os povos periféricos do campo e da cidade seguem sendo os mais afetados. As consequências da pandemia e as políticas genocidas do Estado agravam problemas antigos, entre eles:

  • a fome e o desemprego nos bairros periféricos, como o Canaã IV em Dourados; as demissões em massa; pessoas em condição de rua/sem teto; violência doméstica;
  • a falta d’água nas aldeias e retomadas, a superexploração da força de trabalho indígena; a expulsão dos indígenas de suas terras tradicionais pelos grandes fazendeiros e empresas transnacionais;
  • a fome que já rondava as aldeias e retomadas indígenas desde o corte de cestas básicas;
  • o ataque por parte dos ruralistas contra áreas indígenas, como a retomada Guarani e Kaiowá de Laranjeira Nhanderu recentemente atacada a tiros por pistoleiros.

Por isso, para evitar o pior e para defender a vida, A FOB-MS se organizou para lançar a CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE ENTRE OS POVOS, em apoio aos setores sociais mais fragilizados no momento, mas que também estão resistindo e lutando, como os Guarani e Kaiowá e os bairros periféricos de Dourados. Já realizamos campanha de arrecadações para o Canaã IV de Dourados (bairro de famílias de trabalhadoras domésticas), bem como o levantamento de sementes crioulas para áreas de retomadas, com intuito de realizar projetos conjuntos com as comunidades de fortalecimento da soberania alimentar. Também já arrecadamos 3 caixas d’água para apoiar as famílias da aldeia Bororo. Neste momento, precisamos expandir não só as arrecadações, mas a soberania alimentar, a autonomia e a auto-organização dos territórios frente a crise do COVID-19, do capital, e da repressão.

As comunidades resistem fortemente por suas redes de solidariedade, de apoio mútuo e de produção de alimentos. Por isso, a coletividade é peça chave desse momento que evidencia as violências estruturais sofridas pelos povos, e nos mostra a urgência de transformar essa realidade cruel. Não temos dúvidas de que outros modos de vida são possíveis e necessários, bem como potência da união solidária e coletiva entre os povos do campo e da cidade, da floresta, dos rios, e de toda multiplicidade de ser e viver existente. Em especial, destacamos a resistência Guarani e Kaiowá, principal povo com o qual caminhamos lado a lado em suas lutas – é a segunda maior etnia indígena do país, com um dos quadros mais graves de histórica violação de direitos e consequências do genocídio, etnocídio e desterro.

Acreditamos na potência da solidariedade entre os povos e por essa razão a campanha deve ser feita não para o povo, mas pelo povo e nunca obterá êxito se não envolver apaixonadamente todas as massas do campo, bem como as da cidade. Da mesma forma, é preciso seguir combatendo os governos e patrões, que com suas políticas de morte, empilham corpo sobre corpo em todos os cantos do país. É o momento de unirmos nossa dor, nossa revolta e esperança para derrubar os assassinos do povo e reverter a crise em luta. Unir a luta dos Guarani e Kaiowá com a resistência do povo periférico das cidades é um importante caminho para preparar a grande rebelião.

Para isso levantamos a CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE CAMPO-CIDADE pelas iniciais demandas de:

  • Caixas d’água para aldeia de Dourados e retomadas (preferência por 500 litros);
  • Cestas básicas (para aldeias, retomadas, bairros);
  • Materiais de higiene (máscaras, álcool-gel, sabão, água sanitária, etc.);
  • Sementes crioulas. 

As contribuições podem ser feitas também através de dinheiro (entrar em contato para divulgação dos dados bancários para transferência). 

Para cada período de arrecadação são divulgados os resultados através do blog: lutafob.wordpress.com

SÓ O POVO SALVA O POVO!
TERRA E LIBERDADE!

Yoga Coletiva: apoio mútuo em tempos de Covid-19

O apoio mútuo é um dos pilares do anarquismo. E é em crises como a pandemia de COVID-19 que ele se faz mais presente e importante. Esse vídeo é um registro de como um grupo de afinidade busca manter a sua saúde mental e física através da Yoga.


Um convite de Antimídia

Antimídia está produzindo uma série de vídeos sobre ações de apoio mútuo nos territórios chamados de “Brasil”. Envie você também registros e depoimentos sobre ações semelhantes das quais você ou grupos próximos participam. Entre em contato com a Antimída: https://antimidia.noblogs.org/contato/

Favela Viva (Casa da Resistência, Feira de Santana, BA)

Iniciamos uma nova etapa das ações de solidariedade e proteção à vida do Comitê de Solidariedade Popular – Covid-19 – Feira de Santana com a campanha FAVELA VIVA, as contribuições podem ser feitas em dinheiro ou em materiais. Nosso objetivo é ampliar e tornar permanentes essas ações comunitárias, atendendo mais famílias e regiões da cidade, que sofre com a total falta de assistência. Os mais pobres são alvo de uma política genocida por parte da Prefeitura, enquanto a contaminação se espalha e os casos aumentam. Com sua contribuição nosso Comitê vai viabilizar as seguintes ações de proteção à vida:

  • Ações solidárias semanais com distribuição comunitária de kits de higiene e limpeza e alimentação em comunidades pobres, ocupações sem-teto, catadores de materiais recicláveis, com a população em situação de rua, trabalhadores/as desempregados/as, comunidade trans, presos e presas e familiares de vítimas do Estado;
  • Produção comunitária de máscaras em larga escala, em parceria com a ASCOMGA (Associação Comunitária do George Américo) e distribuição gratuita nas comunidades pobres e setores vulneráveis de Feira de Santana;
  • Compra e distribuição de Cestas Básicas para famílias vulneráveis organizadas e cadastradas pelo Comitê de Solidariedade Popular e nossas organizações comunitárias;
  • Montagem de uma Cozinha Comunitária na Casa da Resistência para ampliar a produção e distribuição de refeições;
  • Equipe comunitária de desinfecção, com EPIs adequados (pulverizadores, macacão, máscara de gases, etc.) e materiais de desinfecção (quaternária de amônia, hipoclorito, etc.) para ações de desinfecção em nossos territórios;
  • Produção de informação comunitária, com boletins em áudios, impressos e cartazes sobre cuidados com a saúde e proteção contra a Covid-19;
  • Campanha de agitação e propaganda pelo Fora Bolsonaro e de denuncia contra a política genocida dos governos e capitalistas e ampliação da auto-organização comunitária e da ação direta popular para exigir dos governos, também por meios judiciais, a aplicação das medidas sanitárias e sociais necessárias como descritas no nosso Programa pela Vida;
  • Lançamento dos livros Marighella: Estratégia e Revolução e Minimanual do Guerrilheiro Urbano de Carlos Marighella, em parceria com o Editorial Adandé, com toda a venda revertida para as ações solidárias e cestas básicas.

As doações podem se feitas em dinheiro em Banco do Brasil Agencia 4481-4 Conta Corrente 8068-3 (CPF 032.366.635-37) ou em materiais na Casa da Resistência (Rua César Martins da Silva, 35, Centro) ou entrando em contato por 75.98107-5552 ou @casadaresistencia.

Leia e divulgue o Programa pela Vida com medidas sanitárias e sociais urgentes e planejamento estratégico para combater o Covid-19 e evitar milhares de mortes em Feira de Santana, em bit.ly/ProgramaPelaVidaFeira

Leia nosso Comunicado de março/abril de 2020 “Defenestrar Bolsonaro, criar uma Alternativa Revolucionária de Poder do Povo”, que pode ser baixado em formato de fanzine, em bit.ly/FanzineCSP

Veja o primeiro balanço do Comitê de Solidariedade Popular, em bit.ly/BalancoComite

Máscaras Solidárias (Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, POA, RS)

No RS, é obrigatório o uso de máscaras de proteção contra o Coronavírus, seja na rua ou no transporte coletivo. Mas não é todo mundo que pode comprar máscaras para si e para sua família. Por isso, lançamos a campanha Máscaras Solidárias, pois proteger a própria saúde e de quem nos rodeia é um direito de todas e todos.

Quer colaborar?

Acessa o link e faça sua doação:
http://vaka.me/1050269

A ideia é arrecadar dinheiro para a confecção do maior número de máscaras possível, priorizando o serviço de costureiras/os autônomas/os, cooperativas têxteis e pequenas empresas, nesta ordem, para ajudar na geração de renda do povo.

As máscaras serão distribuídas entre a rede de organizações, coletivos e associações parceiras do Ateneu, de acordo com a demanda e a urgência de cada parceiro, na região de Porto Alegre. Solidariedade é ação, é mais que palavra escrita!

Mapa da Resistência ao Coronavírus em Pernambuco

Apoie uma campanha no seu bairro;
Ajude na Resistência ao Coronavírus!

Conheça o Mapa Solidário

Se você tem vontade de ajudar a crescente população vulnerável em Pernambuco e não sabe como, acesse:

https://mapasolidario.riacho.info

Lá você pode procurar iniciativas solidárias próximas a você.

Basta clicar nos balõezinhos e ver informações sobre campanhas de apoio e dados para doações financeiras ou arrecadação de alimentos e materiais de higiene.

Muitas famílias têm enfrentado dificuldades para manter suas fontes de renda e atender necessidades básicas de alimentação e higiene com o avanço da pandemia da Covid-19 no estado. Algumas pessoas têm se organizado em campanhas para arrecadar alimentos, remédios e kits de higiene e ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade. Para fazer a ponte entre essas iniciativas e interessados em ajudar, a Rádio Comunitária Aconchego (Engenho do Meio) e parceiras/os criaram o Mapa Solidário (mapasolidario.riacho.info), que agrega até o momento 88 localidades na Região Metropolitana do Recife e em todo o estado de Pernambuco.

A navegação no site, simples e intuitiva, funciona como uma vitrine, que dá visibilidade a iniciativas de solidariedade e facilita o acesso de quem quer ajudar mas não sabe como. Ao acessar o site do Mapa Solidário, o doador ou a doadora pode navegar em um mapa e ver os pontos de doação distribuídos do litoral ao sertão do estado. Com um clique do mouse, é possível visualizar nome da organização, telefones de contato, site, rede sociais e link para fazer uma doação direta.

O Mapa Solidário reúne, até o momento, cerca de 20 campanhas. Há iniciativas de ONGs, organizações feministas (Fórum de Mulheres de Pernambuco, Casa da Mulher do Nordeste, Grupo Mulher Maravilha) e LGBTQ (Transviver), articulações de bairro e comunitárias (como GRIS Solidário/Casa Maria de Lourdes, Centro Comunitário Mário Andrade, Rede Tumulto, Caranguejo Tabaiares Resiste) além de campanhas que surgiram no contexto da Covid-19, como é o caso da Comunidade Frei Damião (Caetés 1). Entidades interessadas em divulgar suas campanhas podem preencher um formulário disponível no site e solicitar a sua inclusão, que será feita em até 48 horas.”

Mais que nunca, nosso bem estar depende de um esforço coletivo. A nossa saúde depende de medidas de higiene indicadas para combater o Coronavírus. E, principalmente, a sobrevivência de muitos depende da solidariedade dos que ainda conseguem manter sua renda neste momento crítico. Temos que substituir tédio por solidariedade.”, ressaltam os organizadores do mapa.

Serviço:
Iniciativa: Rádio Aconchego e parceiros
Site: https://mapasolidario.riacho.info
Contato: mapasolidario@riseup.net

Bingo do Auto cuidado (CHAYN)

Traduzido e adaptado de chayn.co por luanafaustini.com

A CHAYN é um rede global de voluntariado que atua gerando informações e suporte às vítimas de violência de gênero. Uma das estratégias adotadas para apoiar as pessoas é a criação de recursos on-line por e para ajudar mulheres vítimas de abuso e ajuda-las a encontrar meios para assumirem o controle de suas vidas.

Durante a pandemia do Novo Coronavírus, uma parte da equipe da rede criou um canal no Telegram com dicas e cuidados para vencer desafios como a solidão e a depressão durante o isolamento social, tal como mensagens sobre encorajamento, resiliência e felicidade. O conteúdo é em inglês e somente por convite, mas nos vamos entregar a chave para que você possa acompanhar tudo.

🗝️ https://t.me/joinchat/AAAAAFH1r7Goj7j3ZgOnPA

O canal compartilha textos, vídeos de bate-papo com especialistas, stickers divertidos, desenhos, enquetes, dicas de atividades de relaxamento, palavras cruzadas e esse lindíssimo Bingo do Auto Cuidado que nossa compa, a designer, desenvolvedora e ilustradora Luana Faustini muito gentilmente fez a tradução e adaptação para o Português falado no Brasil.

Faça o download do arquivo em alta resolução para utilizar onde quiser:

Thanks Chayn <3

Apoio emergencial à ocupação Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, RJ)

Além de lidar com os efeitos da pandemia, a ocupação passa por graves problemas elétricos e hidráulicos de longo tempo, causando sérios riscos de incêndio no prédio pela não condição de sua manutenção. Por isso estamos solicitando a ajuda de todas as pessoas que puderem colaborar nessa campanha de arrecadação. É necessário realizar a manutenção dessa estrutura urgentemente! Além do mais, ressaltamos ainda que os problemas hidráulicos estão prejudicando a saúde de todas e todos, o que torna os moradores da ocupação mais vulneráveis as complicações do coronavírus.

A Chiquinha Gonzaga é uma importante ocupação urbana organizada e localizada no centro do Rio de Janeiro. Ocupação precursora, que impulsionou outras e possibilitou assim que diversas famílias tivessem uma habitação e se integrassem na luta por habitação popular para outras pessoas.

A ocupação, que completa 16 anos de resistência agora em julho de 2020, também está sentindo na pele os efeitos do agravamento da situação de desigualdade econômica e social que essa pandemia coloca. São trabalhadores autônomos, camelôs ou têm vínculos precários de trabalho e nesse momento de crise sanitária muitos estão desempregados ou perderam sua renda diária por não poderem estar trabalhando.

Sabemos que estamos todos com dificuldades e preocupados em resolver nossos próprios problemas em meio a essa pandemia, mas essa situação catastrófica não atinge a todas da mesma forma. Nesse momento, solidariedade e apoio mútuo se fazem mais necessários que nunca.

Acesse: http://vaka.me/1039763

Campanha de solidariedade às mães da comunidade indígena Kaingang Por Fi Ga (São Leopoldo, RS)

Na comunidade indígena Kaingang Por Fi Ga, localizada em São Leopoldo/RS, temos hoje 64 mulheres mães vivendo em situação de grande vulnerabilidade devido às limitações que o novo coronavírus impõe à comercialização do artesanato tradicional na cidade.

Neste momento, são 8 mulheres gestantes que não estão conseguindo ter acesso aos itens necessários para elas e para os bebês que irão nascer, como roupas, fraldas, materiais de higiene e alimentação saudável.

Tendo conhecido essa realidade, algumas dessas mulheres e de seus filhos, estamos buscando alternativas para colaborar com a comunidade neste momento sem deixar de entender que existem direitos a serem garantidos pelo Estado para a proteção da vida destes cidadãos. Este é apenas um outro movimento.

Assim, além de divulgar os artesanatos que estão sendo produzidos e serão entregues assim que a situação permitir, estamos arrecadando fraldas, roupas infantis, materiais de higiene, cobertas e alimentos. Tudo será higienizado antes de ser entregue para evitar o contágio através do vírus.

Se você tem algo em casa que sua criança não está mais usando, passe adiante. Se tem roupas de inverno que não estão servindo mais, doe. Se não tem nada para doar mas gostaria de ajudar, transfira algum valor possível para você. Qualquer ajuda é melhor que nenhuma ajuda.

Khey Tomas 51 995977998
Laisa 51 993531334
Alessandra 51 997267088

[Vídeo] Kasa Invisível: Apoio Mútuo em tempos de Covid 19 (Belo Horizonte, MG)

Diante da grave epidemia que assola o planeta, iniciativas de solidariedade e apoio mútuo vem se multiplicado.

Na região central de Belo Horizonte, o Coletivo Kasa Invisível tem se articulado semanalmente para arrecadar doações de dinheiro, alimentos, itens de higiene, afim de contribuir com a população de rua do centro de Belo Horizonte, famílias necessitadas e outras ocupações de luta pelo direito a moradia.

O coletivo também tem produzido máscaras de pano, que são distribuídas juntamente a esses kits.

Esse vídeo documenta um pouco desse processo.

É importante seguirmos fortalecendo ações de solidariedade e apoio mútuo e de enfrentamento ao capital, sem esquecermos dos impactos do sucateamento histórico do sistema de saúde pública, desprotegendo a população pobre em benefício de grandes empresários, que observam direitos básicos como mercadoria.

Seguimos apoiando o isolamento social, sem acreditar, no entanto, que isso signifique inação.

Coletivo Kasa Invisível


Um convite de Antimídia

O apoio mútuo é um dos pilares do anarquismo. E é em crises como a pandemia de COVID-19 que ele se faz mais presente e importante. Esse vídeo é um registro das ações de apoio mútuo realizadas pela Kasa Invisível, ocupação e centro social em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Esse é possivelmente o primeiro de uma série de vídeos sobre ações de apoio mútuo nos territórios chamados de “Brasil”. Envie você também registros e depoimentos sobre ações semelhantes das quais você ou grupos próximos participam. Entre em contato com a Antimída: https://antimidia.noblogs.org/contato/

[Proteção de dados] Doações, segurança e solidariedade online

Tempo de crises e de solidariedade. Uma das consequências mais imediatas da crise sanitária global e do isolamento social é o impacto direto na renda de trabalhadores/as do mundo todo. No Brasil, quem depende de bicos e possui renda diária está numa situação muito frágil e difícil. E é ainda mais crítica a situação de pessoas em situação de rua, uma vez que há falta de locais para lavar as mãos. Enquanto o voucher da Renda Mínima emergencial não chega na conta de quem mais precisa, há diversas iniciativas de solidariedade que vão desde a arrecadação de alimentos até doações de dinheiro.

Muitas pessoas tem preferido fazer a doação financeira online, pois, desta forma não é necessário sair do isolamento para estender a sua solidariedade ao próximo. E há muitos pedidos de doações e campanhas, principalmente via WhatsApp e mídias sociais, com contas bancárias, nome do titular e CPF. Isso é um risco para a segurança de todos com resultados a curto prazo. Vamos a um exemplo.

No início desta semana, no dia 31 de março, a internet riu e especialistas ficaram perplexos, quando o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno divulgou o resultado do seu exame de COVID-19 com nome completo, RG e CPF, ou seja, um self-doxxing. Em poucas horas havia relatos sobre o uso dos dados vazados para a abertura de contas em diversos serviços.

No caso das campanhas de solidariedade, a exposição dos dados é mais problemática. Primeiro, porque os titulares dessas contas são praticamente desconhecidos e se terceiros utilizam as suas identidades em outros serviços, isso possivelmente passará despercebido pelos serviços antifraude. Segundo, a exposição de dados é maior. Estamos falando de nome completo, telefone, CPF e dados bancários (agência, número da conta, titularidade). Isso significa que para alguém fazer uma engenharia social e se passar pelo “departamento antifraude do banco que precisa confirmar algumas transações na conta” e aplicar um golpe fica mais fácil, pois os dados já estão expostos.

Mas como não expor os seus dados pessoais e arrecadar dinheiro publicamente?

O que queremos proteger são os seus dados de pessoa física (agência e conta bancária, nome do titular, CPF, número de telefone) do acesso de algum atacante. Desta forma, esse conjunto de dados devem ser sempre compartilhados em privado e apenas entre partes confiáveis, minimizando assim os riscos de exposição dos dados a terceiros. Se você está fazendo uma vaquinha apenas entre a sua família ou passando o chapéu entre amigos, o risco do vazamento de dados é menor, mas depende de como está sendo divulgado.

Opção 1 – Plataforma de financiamento coletivo

Se as doações são para uma organização (associação, rede, coletivo, grupo) recomendo a criação de uma campanha de financiamento online. Isso tem algumas vantagens:

  • A. Aumento do seu público. Você terá uma página pública para expor a sua campanha e mais pessoas poderão participar, inclusive a comunidade da plataforma que está mais engajada e acostumada a doar para outros projetos.
  • B. Pagamento online. Todo o sistema de pagamento já está pronto e os apoiadores poderão parcelar, fazer pagamento recorrente.
  • C. Visibilidade do progresso da campanha. Quando alguém passa apenas uma conta bancária, os apoiadores não sabem o quanto já foi arrecadado e o quanto falta. Mostrar que o copo está quase cheio ou quase vazio é fundamental para a sua campanha.
  • D. Transparência. Além de mostrar para onde vai o dinheiro dos apoiadores, a transparência ajuda a sua organização a se planejar melhor. A dica aqui é adicionar uma linha para gastos emergenciais, pois sempre há imprevistos e, em momentos dinâmicos de crise, você pode pagar mais caro por determinados produtos.

A maior desvantagem do financiamento coletivo é que além de precisar organizar uma campanha, há uma taxa cobrada de manutenção da plataforma. Ela pode variar entre aproximadamente 4% a 13% do valor total arrecadado. Exemplo de algumas plataformas utilizadas no Brasil, listadas por ordem alfabética:

Opção 2 – Sistema de pagamento online

Se você é uma pessoa física e não possui um CNPJ, você pode arrecadar doações através de sistemas de pagamento online. Por exemplo,

As transações também são taxadas e algumas com valores menores do que a opção 1.

As principais desvantagens é que você precisará criar a sua comunidade de apoiadores e não há visibilidade do progresso da campanha.

Conclusão

Se você é um defensor de direitos humanos e está impulsionando essas campanhas com dados bancários e CPF, considere parar e passar a utilizar essas opções. Se são pessoas que não entendem “nada de internet”, pare, explique, escute e ajude. Essa é uma ação para reduzir danos a pessoas vulneráveis, e para que elas não sejam vítimas de fraudes online. Se você possui outras dicas, envie um e-mail ou uma mensagem no Signal.


Artigo publicado no blog do Gus, a quem muito agradecemos.

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