No difícil contexto dos dias atuais, em que globalmente enfrentamos o novo Coronavírus, assistimos a inúmeras iniciativas populares, tentando amortecer os pesados efeitos da pandemia.

Seja individual ou coletivamente, é perceptível a emergência de um sentimento geral de que devemos nos apoiar, uns as outras, afim de sobrevivermos da melhor maneira possível, além de contribuir com as pessoas que tem situações econômicas e de saúde mais delicada.

As pessoas estão doando e preparando comida, estão oferecendo ajuda aos mais idosos, estão contribuindo financeiramente, fazendo vaquinhas, costurando voluntariamente máscaras, estão oferecendo distrações online, cursos gratuitos e até apoio emocional.

CriarComunas (Andre Luiz G.)
Nanquim e caneta hidrocor sobre papel

O Coletivo Kasa Invisível, em Belo Horizonte, é somente um exemplo de grupo de pessoas que têm se empenhado em contribuir socialmente para amortecer os impactos da pandemia. Outros grupos e indivíduos Brasil afora também o têm feito, através de importantes projetos solidários.

Porém, assim como o referido coletivo de Belo Horizonte faz, é de extrema importância que essas iniciativas não sejam feitas de maneira acrítica. Se por um lado, a pandemia nos alerta mais uma vez sobre os impactos ambientais gerados pela lógica capitalista de produção, que enquanto estiver em marcha, deixará a humanidade, dia após dia, mais vulnerável a outros novos vírus, ainda mais letais que o mais recente coronavírus, por outro lado, nos lembra também sobre o perverso impacto da lógica Neoliberal, que busca transformar direitos básicos em mercadoria e que vem a décadas sucateando o sistema publico de saúde, deixando a população pobre ainda mais desprotegida, em beneficio de grandes empresários e corporações de saúde.

Nesse contexto, o coronavírus chega agora a países pobres, com situações econômicas distintas da europeia ou chinesa. Aqui, ainda mais, o apoio mutuo joga um papel importante.

Grupos e articulações populares no contexto de enfrentamento ao Coronavírus

Fortalecer das iniciativas de autônomas será importante antes e depois dos momentos mais críticos da pandemia. A possibilidade que o momento parece exigir, é do estreitamente de laços entre organizações, coletivos, iniciativas e indivíduos ativos, seja localmente, nacionalmente e internacionalmente. Esse estreitamento poderia contribuir com o fluxo de recursos, doações, ideias e informações, além do apoio emocional e jurídico, em determinados casos.

Dado esse passo, a trama social costurada durante a guerra contra o vírus, pode permanecer como estrutura de articulação popular, passado o período mais crítico da doença. A internet pode servir como ponto de encontro, pelo menos por enquanto.

Algumas interessantes iniciativas

Além da arrecadação, preparo e doação de alimentos e itens de higiene, seja para população de rua ou para familias pobres, outras iniciativas também tem ganhado corpo.

  • A exemplo das Greves de Alugueis, que vem acontecendo em outros países, grupos de pessoas tem se articulado afim de apoiarem-se mutuamente, entre famílias que não conseguirão pagar o aluguel, devido aos impactos econômicos da pandemia. Esse apoio se dará através da articulação de uma ampla rede de apoio e suporte jurídico, afim de evitar que ocorram despejos, sobretudo durante a pandemia.
  • Grupos têm se articulado em diversas regiões do país afim de realizar a desinfecção de locais públicos desamparados pelo estado, com uso de borrifadores manuais.
  • Outras tem se articulado com o objetivo de, mesmo tendo que aprender no momento, costurar mascaras para serem doadas em comunidades pobres e para a população de rua.
  • Pessoas tem também se articulado para ajudar a população carente a acessar o auxílio emergencial do governo federal.
Pôster do artista anarquista N.O. Bonzo.

Uma grande apanhado de iniciativas realizadas no território brasileiro pode ser acessada na pagina: apoiomutuo.com.br.

A construção de articulações populares se torna urgente nesse momento atual, uma vez que um dos rastros que o COVID-19 deixará, é de, por um lado, mais empobrecimento e desemprego, e por outro, de uma capacidade ainda maior de controle e vigilância por governos, no nosso caso, de extrema direita radicalmente neoliberal.

O campo dos movimentos populares libertários precisam correr contra o tempo, se de fato, acreditam, que um outro fim do mundo é possível.