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Mudanças sérias precisam acontecer

Tag: criança

[Dicas de Saúde] A infância no isolamento

Com a chegada da Covid-19, as primeiras medidas de isolamento social do Estado foram direcionadas aos idosos e crianças. Como uma doença nova, sem que se soubesse muito a seu respeito, o Novo Coronavírus traz para dentro de casa as crianças que passavam, ao menos, metade de seus dias na escola, convivendo com professoras, crianças e ensino sistematizado.

A Covid-19 balançou – para todas as camadas sociais – a realidade de convivência familiar. Trânsito de pequenxs com pais separados, mães solteiras que se viram, famílias que ficaram sem ajudantes, avós que cuidam de netos, pais que cuidam de suas crianças e comunidades que criam suas pequenas coletivamente. O isolamento aproximou – não, colou! – a realidade da infância e a realidade dos adultos.

Sem a escola formal – com horários, prazos e a professora para orientar – o sentimento de férias para elas passou a ser uma constante, muitas não entendem bem o que acontece, e até nem tem idade para tal; outras aproveitam o tempo para formas de lazer que vêm da vida antes da pandemia.

No começo das medidas de auto isolamento os pediatras, pedagogos e psicólogos reforçavam aos tutores “paciência com as crianças! ”. Olhavam pelos pais ausentes – pela razão que fosse – que não tinham o hábito de conviver com o ritmo da vida na infância.

Não sabemos habitar nossas crianças.

E assim como o isolamento social tem mostrado para muitos que não sabemos habitar nossas casas (pois, até então as casas eram uma espécie de estacionamento para pessoas), também tem mostrado que não sabemos habitar nossas crianças.

Algumas dicas, de profissionais, sugestões de atividades para ocupá-las passou a inundar as redes. Diante de todas elas, alguns cuidados são importantes:

  • Mantenha sua pequena informada sobre o que acontece. Explique as razões – na linguagem mais adequada, com alegorias, histórias, ciência e o que mais for possível (a imaginação de vocês é o limite) – a falta de prazo e tente tirar todas as dúvidas possíveis para não alimentar a ansiedade delas;
  • Mas, lembre-se, crianças muito pequenas não conseguirão entender o que está acontecendo e ao tentar explicar você poderá estar inundando ela com ansiedades desnecessárias;
  • Não desconte sua ansiedade nas crianças! Seja quem você é alimentando o vínculo com elas, trocando afetos, experiências e atividades em comum. Procure ajudas em casa, fora dela, e profissional se for necessária. Lembre-se: elas estão tão confinadas quanto você, lidar juntos é a melhor forma de passar por isso.
  • Crianças também tem seus bandos! Pense em usar as mesmas ferramentas que você escolheu para você – (ligue pro teu bando) – se organize com outros tutores e deixem que elas interajam. Conviver com as outras crianças, amigos, colegas, festinhas de aniversário virtuais e encontros são muito importantes para o vínculo afetivo e social em qualquer momento da vida.
  • Rotinas são bem-vindas. Organizar tempo de estudo, brincadeira, tarefas, lazer coletivo, telas – videogames, televisão, internet – e de convívio lúdico ajudam com que as crianças tenham mais noção do tempo, dos dias, das coisas. A rotina delas foi interrompida abruptamente como a sua. Os estudos – com a ajuda da escola ou de sistemas on-line, atividades feitas por você, amigos seus ou parentes – mantém a ideia de que aprender é importante, mesmo que (principalmente) fora de um sistema educacional institucionalizado. A curiosidade faz parte da infância, bem como a experimentação, abuse disso nas atividades e mantenha os aprendizados das crianças 🙂

Aproveitemos o momento para repensarmos o modelo de educação que vivemos. Era isto que realmente queríamos para nossas crianças? Ou o que antes elas viviam podíamos chamar de confinamento escolar?

  O isolamento social com crianças pode ser um grande presente para os adultos que vivem com elas. Só é preciso estar atento à esta grande oportunidade. Novas dinâmicas e fortalecimento de vínculos têm uma oportunidade ótima de acontecer durante o isolamento social. Para rever escolhas, táticas e estratégias de misturar o seu mundo e o das crianças, quais as perspectivas de crescimento, personalidade e cooperação é uma situação incrível.

Por uma sociedade feita de escolas livres é pelo que devemos, mais do que nunca, lutarmos para construirmos.

Apoie crianças e adolescentes em movimentos sociais das comunidades da periferia (CEDECA, Fortaleza, CE)

O CEDECA (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente) Ceará atua atualmente em três territórios de Fortaleza: Bom Jardim, Jangurussu/Ancuri e Pirambu. Nesses bairros, são realizadas ações de arte-educação e formação política junto a coletivos e grupos de adolescentes e jovens.

Juventude e movimentos sociais das comunidades da periferia de Fortaleza têm mobilizado iniciativas e campanhas para doação de cestas básicas e itens para higienização como forma de prevenção e auxílio às famílias mais vulneráveis que enfrentam o novo coronavírus. O CEDECA Ceará se soma a essas iniciativas e coloca à disposição da população a conta do Pay Pal para facilitar o recolhimento de doações.

Quem vai receber as doações
As doações serão destinadas a iniciativas, frentes e coletivos reconhecidos pelo CEDECA Ceará pela auto-organização e seriedade em fazer chegar o auxílio a moradores e moradoras das três comunidades que mais precisam neste momento. Haverá prestação de contas do destino das doações no nosso site.

O que o CEDECA Ceará defende para enfrentar o novo coronavírus
Além das iniciativas de doação, o CEDECA Ceará defende a revogação da Emenda do Teto de Gastos; o pagamento imediato da renda básica a quem mais precisa; a garantia dos empregos de trabalhadores e trabalhadoras; o apoio do Estado para que as famílias possam, de fato, realizar o distanciamento e isolamento sociais necessários; medidas específicas de proteção às populações mais vulneráveis, especialmente crianças e adolescentes em situação de rua e em acolhimentos institucionais, como adolescentes em privação de liberdade.

http://cedecaceara.org.br/site/index.php/quero-doar/

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